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domingo, 26 de setembro de 2010

Convite

Não obstante a todo esse universo, devo lhe dizer, Joana, que posso trazer-lhe o Sol, ou levá-la as estrelas. Não é simplesmente mais uma dessas minhas declarações apaixonadas ou algo que o valha, sinto lhe dizer. Mas é que o novo planetário da cidade já está aberto à visitação.

Outro detalhe que gostaria de frisar foi que ontem me encontrei com seu irmão, Miguel. Conversamos um bocado e ele me disse gentilmente a posição dele com relação a minha estadia na sua casa. Fiz questão de lhe contar sobre o dinheiro que ando gastando, o financiamento do meu novo apartamento e o meu pedido de noivado.
Apesar de termos conversado um bocado, foi uma conversa curta, uma vez que meu pai aparecera pedindo para que eu o levasse ao médico. Sabe que a saúde dele não é das melhores... Enfim, ele está bem, era só uma dor de cabeça mais forte.

Com relação aquela carta de atraso do pagamento da conta de telefone que chegou, liguei e resolvi o problema. O sistema estava com algum defeito e por isso não haviam contabilizado o pagamento. Passei um fax com o recibo de pagamento e eles que se resolvam. Hehe, Fax, que coisa antiga.
Sua Tia-Avó Mirele ligou. Ela pedira para que você retornasse a ligação o mais cedo possível. Ela irá convidá-la para passar umas semanas na Noruega junto com ela. Eu sugiro que você ligue o quanto antes, afinal, como você mesma disse, o humor dela é um bocado inconstante.

Como você percebeu Joana, deixei esta carta dentro de um livro, na exata página onde o marcador estava. Sugiro que leia a página 257 novamente, deixei uma frase sublinhada que gosto pacas.

A Cleide também ligou. Deixei esta por último para fazer suspense. E adivinhe... ahã.... Você começa na quarta! Deve ir por entre hoje e amanhã para assinar o contrato e pronto. Não é genial? Fico feliz que você tenha conseguido essa vaga, Joana.

Deixe-me encerrar por aqui. Te amo
    Ao infinito
           E Além.
           Eduardo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carta da Madrugada

Joana

Quando ler esta carta, deverá ser a manhã de um belo dia de sol. Eu a escrevi durante a noite, enquanto você dormia abraçada ao travesseiro roxo. Preparei esta mesa de café da manhã para que possa desfrutar assim que acordar, olhando pela janela em frente a este papel, vendo que naquela pequena árvore contem bilhares de borboletas imaginárias, que você pode ainda não as enxergar, mas ao final da carta, as verá.
Camisolas. Ora, que idéia mais fabulosa. Uma gaveta só para camisolas. Sabia que adorava guardar suas coisas bem esparramadas, mas uma gaveta só para camisolas me parece algo genial. Sempre vejo gavetas com papéis, roupas íntimas juntas, camisetas ou camisas juntas, calças juntas. Mas unicamente camisolas é a primeira vez que vejo.
A minha noite de chegada a São Paulo fora esplêndida, Joana. Sinceramente, havia muito tempo que não me divertia tanto. Sua sensibilidade em me buscar no aeroporto junto com meu pai doente fora espetacular, não esperava isso. E esperava menos ainda que fosse usando seus tênis roxos. Não havia me dito que os tinha perdido? Enfim, esqueci de lhe perguntar isso ontem.
A propósito, por volta desta hora, devo estar a caminho do centro da cidade. Precisei encontrar meu pai por lá para ver alguns problemas com meus documentos. Perdi boa parte deles com o contrato falso. Não quis lhe acordar porque parecia tão jovial deitada naquela cama. Resolvi então lhe preparar essa mesa de café.
Joana, queria lhe dizer que adorei a forma como manipulou a noite para que ela durasse mais tempo que nenhuma outra noite durou. Sentia uma imensa saudade da sua voz, da sua boca, dos seus cabelos rubros. Do modo como me abraça e consegue sentir meu coração bater entre suas mãos. De tocar meu peito e sentir além de uma carne como qualquer outra. E por fazer de mim algo pensante e com sentimentos, sinto-me alguém absurdamente mais humano depois dessa noite.
Por essas e outras que, durante algum tempo, ficarei longe de ti. Amo-te e, enquanto estive fora, pensei em você o tempo todo. Mas acredito que toda nossa conversa de ontem seja compreendida. Eu realmente a amo e não posso ficar na sua vida como um peso morto, igual ao meu irmão. Preciso de um emprego e preciso de uma vida social. Quero pedir-lhe em namoro, noivado, casamento ou que diabos de nome tenha esses compromissos, garotinha. Quero cuidar de ti pra sempre, e sempre ter-te comigo.
Te amo, Joana.


E sempre irei.
Edgar.

domingo, 10 de maio de 2009

Carta de Influência

Joana:

Vejamos, se está bem não sei, mas acredito que há uma solução. Se há um problema não sei, mas acredito que há um remédio. Se há alguém que pode me ajudar não sei, mas acredito que não há alguém anda me ajudando
De qualquer forma, sempre me disseram que era melhor prevenir que remediar. Bom, o remédio que esta na dispensa está se acabando rapidamente. Mas eu não vou ficar incomodado, simplesmente vou me manter estável nesse sofá, sem pensar em nada, até o dia acabar.
Consegui reconquistar minha dignidade. Arrumei um emprego (sem extorsão agora, e me dão moradia a dinheiro pra terminar de pagar a faculdade).

Joana, sei que os últimos dois meses foram absurdamente melhores do que os últimos três antecedentes a eles. Meu irmão começou a esvanecer de nossas mentes, e assim podemos desfrutar melhor de nossas vidas. Não que eu não gostasse dele, mas acredito que a vida fora feita pros vivos, e não para ficar relembrando mortos. Sei que fora traumático pra você, mas aposto como sua recuperação está sendo absurdamente rápida, não?
Por que você não respondeu minhas últimas três cartas? Realmente, fico me perguntando se a minha presença através desta te incomoda. Eu realmente só lhe escrevo, pois acredito que talvez isso a anime, mas se sentir de alguma forma incomodada, me avise que eu paro.
Continuo firme em minha decisão. Voltarei pro Brasil na semana que vem. Esse vírus de Influenza deixa-me muito preocupado. Estou tendo um pouco de problemas com o consulado, mas quanto a isso posso muito bem dar meu jeitinho. Consegui dar um pra sair do México quando roubaram meu dinheiro.
Avise a meu pai, não consigo contatá-lo, que voltarei em no máximo três semanas. Estou preocupado com a saúde dele.

Continuo te amando Joana, mas se ler isso te chateia, por favor, avise. Eu não consigo parar de ler suas cartas rugadas, aquelas pequenas manchas de lágrimas, mas não posso me conter. Espero que, assim que chegar ao Brasil, eu seja recompensado pelo que sofri com um belo abraço seu. Já me será suficiente.

Do seu
E unicamente seu.
Edgar.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Platonismo ou não? Eis a questão.

Tentar fugir é inevitável. Eu tentei mais de uma vez e digo: será em vão da próxima também.
Eu, Roberto, posso garantir posso garantir que os regressos e as fugas, por mais opostos que sejam um do outro, são movimentos esquivos que jamais devem ser ignorados ou praticados.
Deixe-me explicar minha teoria… Antes, a mim.

Nunca fiz questão de me preocupar em como seria minha vida depois de determinado período. Pretendia sofrer meu presente explorando meus males de forma obtusa e antiquada. Sinceramente, nunca consegui. Nunca explorei porcaria nenhuma de forma nenhuma. No fim das contas eu ignorava tudo e ponto final.
Eu tinha um determinado tipo de fobia social. Não conseguia me ver no meio das multidões, não importando a qual tipo de multidão seja. Aliás, multidões servem exatamente para este propósito: muvucar. Mas não é disso que estamos falando. O que na verdade importa é que eu era cinza num mundo colorido. Isso quando não era colorido num mundo cinza. Esse meu lado casto é um tanto engraçado pois, mesmo depois de duas décadas e meia de vida, nunca mudou.
Relacionamentos? O meu mais longo fora com Viviane. Seis meses na primeira tentativa e três meses na segunda. Mas já explico como aconteceu. Alias, nunca tive um relacionamento durável com qualquer uma.
Minha família é simplesmente imensa! Estava sempre a fugir e tentar conquistar o meu particular, ou seja, estava sempre cercado por primos, tios ou algo que o valha. Mesmo não querendo. Mas não tenho mais motivos pra me preocupar com isso.

Viviane.
Surgiu sutilmente na minha vida. Acredite, foi assustador. Sabe aqueles amigos de amigos do vizinho da cunhada da prima de tal fulano? Essa era Viviane. Não importa sua descrição, não que não mereça, claro, mas aí vou me prolongar e ter de explicar mais milhares de coisas vãs. É isso que você quer agora?
Amigos por alguns dias. Subjetivos por algumas semanas. Namorados por alguns meses. Foi bem assim: ela me seduziu. Parecia que o modo como ela falava comigo era adaptado, pois eu ouvia as conversas dela com outras pessoas e me espantava. Comigo era solta, com um sotaque “Cult” e assuntos não finitos. Pode acreditar, ninguém nunca tinha se dedicado dessa forma por mim. Por isso, cedi. E a amei algum tempo depois.
Mesmo com meus ataques de “Bento Santiago”, acreditava que minha Capitu era tão casta quanto eu. Sem duvidas, até hoje não sei se estou enganado. Enfim, após nossos longos meses de namoro, algo foi crescendo que me incomodava incomensuravelmente. Não que seja verdade, mas eu me sentia sufocado. Viviane me dava toda privacidade, mas o problema era comigo. Então provoquei o término da relação. Com um ataque de ciúmes doentio que era inexistente. E então sumi.
Quatro meses foram suficientes para minha saudade me atormentar e me fazer voltar. Por incrível que pareça, fui aceito de braços abertos. Não queria que tivesse acontecido assim. Foi então que cedi pela ultima vez e pronunciei aquelas três vorazes palavras-chave. Hoje, eu preferia não as ter dito, mas, já que aconteceu, então foda-se.
Nos outros três meses, a melancolia voltou ao meu ser e, por assim dizer, não queria Viviane fisicamente comigo. Eu preferia o platonismo. É maluco, mas é o que eu sentia. E, por isso, novamente sumi.

Hoje, quando estava naquela festa familiar, o evento era o mais novo bebe da família. Filho do meu primo com não lembro quem. E o nome daquele bebe me atormentava os ouvidos irritantemente. Inclusive o mesmo apelido, que eu tinha dado a outra pessoa.
Viviane.
A última vez que ouvi tal apelido estava no alto da escada da casa. Acredito que foi a ultima coisa que ouvi.

Por isso, não adianta reviver nem fugir. Simplesmente tente ignorar.

Mas não foi o que eu fiz.

sábado, 13 de setembro de 2008

Uma carta Mexicana

Joana
Dois anos se passaram desde minha ultima carta. Dois anos de muita dor e saudades da minha daminha de cabelos rubros e tênis roxos. Dois anos de modorra, fadiga, espreguiçadeiras de plástico com um pé quebrado e sorvetes de baunilha. Dois anos da mais macabra vida que qualquer ser humano poderá passar. Estou sendo irônico quanto ao sorvete de baunilha, claro, você entendera mais a frente. De qualquer forma, devo lhe pedir uma coisa. Peço-lhe desculpas por não ter respondido sua ultima tão breve.
Enfim, tenho de contar-lhe o que me ocorreu.
Eu era imaturo. Eu não sabia mesmo o que estava fazendo quando aceitei aquele emprego ridículo no México. Mas quão fascinante era a comida Mexicana, a dança mexicana, a cultura mexicana. O mundo mexicano em si. Era, como disse. Tudo uma pura ilusão.
Comecei trabalhando como promotor de eventos. Eu fazia o curso de publicidade na faculdade da cidade do México tranquilamente, quando arrumei um segundo emprego infernal. Era dos diabos mesmo. Eu ia fazer o marketing para uma empresa local muito grande. Eu mesmo não podia acreditar no que estava acontecendo. Realmente, não devia acreditar.
Eu fui enganado.
Na verdade, eu estava assinando um sub-contrato falso, onde o papel carbono marcava na realidade um contrato forjado. Perdi todo o meu dinheiro naquele contrato. Perdi tudo, menos meu apartamento. E como tinha pedido demissão do antigo emprego, não tinha dinheiro nem pra comer.
Minha moça.
Não fale ao meu pai o que aconteceu comigo. Enviei cartas a ele dizendo que estava bem e até mandei uma quantia em dinheiro, só pra parecer que eu estava bem. Isso há umas duas semanas atrás.
Mas não era só isso que tinha pra te falar.
Quero saber como esta seu irmão. A ultima vez que me escreveu disse que ele tinha quebrado o braço. Espero que não tenha sido nada de muito grave. Sei que um tombo do segundo andar de um apartamento parece muito, mas não me preocupei. Sei que o Marquinhos esta muito bem.
E quanto ao Eduardo, bem, não sei te falar muito bem o que eu acho da situação. Acredito que o suicídio seja para poucos e ele não era um dos que merecia. Não que se deva merecer pra morrer, mas é que ele tinha muito que fazer por você ainda. Recebi a carta de suicídio que ele lhe escreveu. Não respondi, mas eu a recebi e a li com muita atenção. Ele não me pareceu muito convincente, ele com certeza tinha outros motivos. E o baú? O que tinha dentro daquele baú? Você não quis me dizer. De qualquer forma, eu vou descobrir, pois estarei chegando à cidade dentro de breve.
Sim, eu consegui sair do México sem sofrer nenhum dano muito grave. Cheguei clandestino aos Estados Unidos e consegui arrumar passagens de volta a São Paulo com o dinheiro do apartamento que eu vendi.

Peguei sua última carta de novo. Nela tinha pequenas rugas no papel. Varias rugas pequenas, redondinhas e belas. Diga-me, por que chorava enquanto escrevia? Eu não sei o porquê daquele trecho. Se fosse onde se referia ao Eduardo, eu até entenderia, mas se trata na parte do “Eu perdi meus tênis roxos.” Lá havia uma ruga bem marcada, e quase o papel se rasgou ao escrever.
Joana, Joana...
Achou que eu só lia suas cartas sem interpretar os sinais do seu corpo. Eu posso saber até a posição na qual você escrevia nessa ultima carta. Mas pela variação de caligrafia sou capaz de afirmar que você a escreveu em cerca de doze fragmentos de tempo, com leves pausas de três minutos cada. E assim afirmo que você ficou nervosa ao me escrever.
Joana.
Você ainda me ama, assim como disse quando eu parti? Eu nunca retirei o que eu disse sobre você. Eu sempre pensei em você e nunca dormi com outra garota sem ter você na mente. Eu já havia te dito isso mais de uma vez, mas você não acreditou em mim. Eu sei que pareço ridículo, mas eu criava uma Joana a cada esquina que eu cruzava, tentando desesperadamente encontrara você em algum corpo. Em alguma voz. Em algum desejo. Em algum ensejo ou vontade de me amar. Eu nunca fui tão amado quanto por você Joana. Acredite, seu amor foi o que fez agüentar firme a minha existência.
Provavelmente outros homens já tenham lhe dito isso antes. O Eduardo, talvez. Mas é que você, Joana, é a pessoa mais incrível que conheci. Desde aquele dia, em que você entra no restaurante com um belo casaco rosa. Eu sempre odiei aquele casaco rosa. Mas se você gostava dele.
Enfim, peço-lhe mais uma vez desculpa pela demora, pelo meu irmão ter feito aquela burrice e te deixado assim, pela minha falta de bom senso ao te deixar.
Beijo Joana, eu sempre te amarei.
Do seu e exclusivamente seu.
Edgar.

sábado, 26 de julho de 2008

Carta de Suicídio

Joana:
Eu fui para um lugar melhor, pode apostar.
Sei que nunca fui bom o bastante para ter os seus sentimentos. Eu estive durante muitos anos ao seu lado, sentindo isso. Sei que te aflige toda a situação que fiz você passar, desempregado, morando no mesmo apê que você, comendo da comida que você comprava e bebendo compulsivamente. Mas entenda que precisei disso.
Desde que minha mãe faleceu, eu precisei de muito carinho de uma garota atenciosa como você. Mas sei que tudo não passava de uma grande farsa que nós entramos, minha garota. Seus lençóis ficavam quentes, mas seu corpo permanecia gelado como uma pedra, naquela ultima noite. Eu sei, parece um tanto de loucura, mas eu sei quando você se sente animada ou não. Seus pés não conseguem mentir como você.
Joana, Joana...
Desde que te vi, com aquela música do The Cure tocando naquele barzinho, que senti que era você. Parece que foram dois segundos atrás. Seu casaco peludo que eu odiava. Como conseguia usar aquela coisa alérgica e rosa? Eu espirrava só de chegar perto quando usava aquilo. Mas não vem ao caso.
Você é a garota com quem eu quis passar o resto da minha existência. Não me importa o que ache de você, pra mim, você é tudo. Não digo que é perfeita, mas até seu modo de errar me impressiona. É incrível como você fica vermelha, abaixa o rosto de pede desculpas naquele tom de criança chorona que só você mesmo sabe fazer. Sua unha do pé, pequena e arredondada, seus olhos escuros como um véu, sua voz doce como um pêssego. Joana, Joana...
Seu tênis vermelho está bem ali, à esquerda. Consegue vê-lo? Eu estava admirando, lembrando-me daquela noite que andamos no parque. Como você consegue fazer essas coisas? Chutou a pobre árvore sem ver! Eu sei que a arvore não se importou, mas o pobre tênis e seus lindos dedos se importaram. Ahh, que saudades daquela noite, daquela estrela, daquele banco quente.
Enfim, eu creio que você esteja chorando agora, tenho de lhe reconfortar ao invés de mencionar esses fatos.
Eu fiz porque te amava demais. E eu escutei quando você disse a Lucia o que queria fazer. Eu não ia suportar a idéia de ficar sem você, Joana! Você sabe o quanto eu te amei. Mas não se sinta culpada, eu lhe juro, você será recompensada por isso. Posso parecer mesquinho por querer fazer monopólio de você, mas é que você sempre foi tudo o que precisei! E não estou falando de dinheiro, moradia ou lençóis limpos e quentes.
Você me deu tudo àquilo que nunca tive de nenhuma garota. Não sei explicar.
Mas enfim, fiz isso apenas porque queria te libertar desse meu assédio moral. Não ia conseguir dizer tudo isso e meramente sair da sua vida. Ia querer sempre voltar pra te ter em meus braços novamente, ou querer saber se já teve filhos, ou se já se mudou. Eu não ia poder fazer isso, mas ia fazer.
Joana, por favor, só lhe peço um ultimo favor, me perdoe por isso, ta bem? Alias, tem outra coisa: deixei um baú perto dos seus tênis. Lá tem varias fotos e textos que quis lhe enviar, mas nunca tive coragem. Sempre fui um covarde de carteirinha, sabe disso.
Alias, nunca tive qualidade alguma pra ser exato. Tem uma música do White Stripes que diz isso: Se há algo de bom em mim, eu sou o único que deve saber. Não me recordo o nome, mas é isso que diz. Ao contrario daquela musica do The Cure que eu detesto: como assim garotos não choram? É o que fiz até os últimos dez minutos.
Estou quase conseguindo o que quero. To escrevendo essa carta enquanto arrumo a cena desse quarto vazio. E também tomo coragem. Alias, consegui finalmente.
Beijo Joana. Eu sempre te amarei.
Do seu e eternamente seu
Eduardo.