domingo, 3 de fevereiro de 2013

Reptilianos



Os Reptilianos. Eles estão por toda a parte.

Esse não é mais um destes relatos paranóicos que você vai encontrar pela internet. Nem mais uma teoria demente de conspiração. É apenas a opinião de mais uma pessoa que anda, se alimenta, vive e sofre como qualquer ser humano normal.

Por qualquer lugar que você olhe, você encontra relatos falando dos Reptilianos. Alguns dizem que são alienígenas, outros dizem que são descendentes de uma linhagem, outros dizem que foi uma civilização antiga ao maior estilo Atlântida, mas eu sempre tive pra mim uma teoria diferente.

Baseadas em algumas lendas que li quando era mais jovem, tirei pra mim que os Reptilianos eram uma raça híbrida de répteis com humanos que vivia sobre a face do nosso planeta, em alguma época antes da escrita. Sempre vejo essa raça ser retratada como vil, má ou qualquer adjetivo negativo que consiga imaginar. Foram de certa forma extinta por algum tipo de civilização pré-histórica ou por algum ancestral do Homo Erectus ou Australopitecus. Ou pior. A causa da sua ruína foram seus próprios adjetivos. Não é o foco disso.

Várias literaturas, desde a antiga série 'O Elo Perdido', 'Os estranho Curioso',  um recente desenho da Liga da Justiça, ou mesmo livros de conspiração que falam sobre os Illuminati , mostram que esses Reptilianos deixaram um legado. Uma missão, onde diziam que iam voltar para poder tomar a terra que lhes foi tomada, ou algo assim. E que se escondiam onde ninguém lhes encontraria: No âmago dos seres humanos.

Recentes frustrações têm me feito enxergar o mundo de uma forma melhor. Tenho vistos sombras onde não existem. Vejo coisas que não estão onde estão. E o principal: estou com uma percepção extra-sensorial com relação às pessoas. Vejo seus comportamentos egoístas e mesquinhos todo o tempo, vejo sua ingratidão e falta de zelo. Vejo suas falsas preocupações com o próximo e sua preocupação absurda com aparências. Ignorância, intolerância e quaisquer outros adjetivos negativos que podem levar uma civilização a ruína.
Vejo suas semelhanças com os Reptilianos em todos os lugares. Entre pessoas nas ruas, pessoas próximas, e por incrível que pareça, pessoas que compartilho sangue.

Aliás, se esses não são iguais aos Reptilianos que teorizo, digo uma coisa muito pior que isso.
 Ou somos todos Reptilianos, ou somos piores que eles.

Esse é um relato que espero que você deduza se é real ou ficção.

sábado, 12 de janeiro de 2013

A gota

A gota.
Aquela gota que transborda.
Sabe... Aquela gota que transborda e cai do copo?
Ela é feita do mesmo líquido que já encheu o copo.

E meu copo está cheio e acaba de transbordar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O Porta-Guarda-Chuva e a Cimitarra



Eu sempre odiei aquele porta-guarda-chuva.
Mas minha amada tinha ganhado de sua tia. Ou avó, não me lembro. E ela também detestava minha cimitarra persa, que comprei com minha economia de um ano de mesadas aos quinze anos. Lembro que quase me mataram quando cheguei em casa com ela. Expliquei que tinha lido num livro que meu herói favorito usava uma cimitarra para se defender de seus oponentes numa guerra contra seres mitológicos, e que eu estava namorando na loja fazia um tempão. Também expliquei que ela teria efeitos apenas decorativos.

Anos depois tinha de fazer duras negociações com minha noiva: ela deixava aquele porta-guarda-chuva medonho ao lado da porta da sala e eu podia pendurar minha cimitarra na parede acima. Quase que formando um Yin-Yang. Já disse que conheci minha noiva na loja onde comprei minha cimitarra nove anos atrás?

Mas aquele porta-guarda-chuva sempre teve algo de estranho. Ele me instigava uma raiva absurda, não sabia bem explicar. Acho que foi a ocasião em como chegou em casa. Foi como se uma neblina densa de mau-humor tivesse penetrado por todo canto logo em que ela chegou carregando o tal artefato. Pensando melhor, acabo de me lembrar que esse treco foi da tia-avó dela. Porque a energia bizarra que aquilo transmitia era exatamente igual a que sentia perto da maligna da tia-avó dela, que me olhava de canto de olho e cochichava tenebrosidades a meu respeito aos conhecidos.

Em contrapartida, minha cimitarra me transmitia uma calma profunda. Era como se eu soubesse que ela estaria sempre lá, para me defender de qualquer guerra, em qualquer momento que eu precisasse. E eu tinha guardado tanto dinheiro nove anos atrás para comprá-la. Sempre que percebia, pegava-a na mão e ficava admirando o punho cravejado com pequeninas pedras esverdeadas onde está escrito 'Verdade' em alguma língua que não faço a menor idéia. Talvez Persa, ou Árabe, já me esqueci de novo. "حقیقت" Era bonito e pronto.
Mas toda vez que tirava da parede, Ela gritava comigo. 'Por que você tirou esse negócio medonho da parede de novo?'. Ou então 'Sabe que a parede mancha toda vez que mexe nesse seu bagulho inútil?'.

Até que um dia, enquanto eu estava com minha cimitarra nas mãos de novo, ela ralhou comigo. Eu me assustei e, sem querer, tropecei no porta-guarda-chuva e a cimitarra voou da minha mão e a acertou em cheio. O punho pesado bateu em sua cabeça. E uma concussão a levou de mim.

Eu sempre odiei aquele porta-guarda-chuva.

A partir daquele dia, ainda mais.

"A verdade é um espelho que caiu das mãos de Deus e se quebrou. Cada um que recolhe um pedaço diz que toda a verdade está naquele caco."
Provérbio Persa

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Muralhas de um coração I


Ao contrário do que dizem por aí e do que penso, eu tenho um coração de carne como todo mundo. Não é de pedra, de gelo, peludo ou seja lá qual seja a atual definição que dão dessa vez. É um coração como qualquer outro.
A maior prova disso é que, se você me cortar, eu vou sangrar como qualquer outro. Provo: sou um ser humano e tenho minhas limitações como qualquer outro.

Mas nem por isso sou igual. Novamente posso provar.

Sempre senti esse músculo involuntário um tanto quanto patético. Fica se retorcendo por coisas idiotas e por pessoas sem merecimento. Parecia que cada vez que ele se retorcia, um hematoma novo nesse pedaço de carne surgia, como se alguém arremessasse uma pedra ou atirasse uma flecha ou algo que o valha.
Óbvio. Todo mundo é assim. Sofre uma decepção e se machuca, blé.

Para evitar esse tipo de injúrias, resolvi fazer uma coisa que li uma vez num livro. Quer dizer, algo bem semelhante. Num conto, um rapaz arrancou seu coração e o guardou num cofre para evitar qualquer tipo de sofrimento. Obviamente não funcionou muito bem, uma vez que o coração ganhou vida própria por estar fora do corpo do rapaz. Mas e se o cofre estivesse no meu peito? E se não fosse um cofre, e sim paredes impenetráveis? Melhor: muralhas. Estaria imune a esses espólios. Pedras seriam desviadas e flechas seriam quebradas quando arremessadas no cofre ou muralha, seja lá que raios eu colocasse. Ainda estaria em mim meu coração, mas selado a vácuo para impedir detritos externos.

Pensei. Não posso levantar essas muralhas a qualquer um. Devo baixar a guarda a algumas pessoas, claro. E essas devem ser bem escolhidas. Meus métodos, assumo, nunca foram bem esclarecidos, pois apesar de ser bem racional, eu levo meus pensamentos por um lado bem passional. Como uma porta traseira da imparcialidade. Uma divisão quase que perfeita do racional e passional. Deve ser algum efeito colateral de trancafiar meu músculo num cubículo de pedra. Ele deve se manifestar de alguma outra forma, enfim.

O fato é: eu ergui muralhas em torno do meu coração para não permitir que qualquer um possa machucá-lo. Isso me tornou mais frio?  Talvez. Isso impede de demonstrar meus reais sentimentos? Talvez. Mas talvez fosse a maneira mais sadia de não me machucar com tanta facilidade.

Mesmo machucando quem tenta penetrar por entre essa muralha.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Comi carne crua. Babei sangue.



Comi carne crua. Babei sangue. Só não sabia se era o meu ou do animal morto.

Mordia cada pedaço com uma força descomunal. Quase animal. Sentia meus caninos transpassando e chegando a minha língua, sentindo aquele misto de dor e prazer naquele sentimento sufocante. Era o auge, o ápice. Aquela carne exalando um cheiro acre de recém cortada. Mas minha raiva precisava ser descontada, e nenhum animal vivo merecia aquilo.

Eu estava naquela tênue linha entre o deprimido e o deprimente. Não sentia bem nada, só o cheiro da carne, a dor na língua, uma queimação na nuca, o sangue quente escorrendo da boca. Babava feito uma criança. Só que vermelho.

Pela janela conseguia ver aquelas pessoas andando na rua. Nenhuma delas estava de fato na rua, com a cabeça longe metros, talvez quilômetros de sua localização original. Nenhuma dela via o terror que acontecia na janela. Nenhuma delas vira meu jantar sangrento. Nenhuma delas queria ver, mesmo se o visse. 

Nenhuma delas reconheceria o meu jantar. Já estava extremamente mutilado.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Sou eu que estou chorando? São minhas lágrimas?"



Essas foram algumas das últimas frases de Rei Ayanami antes de morrer em Neon Genesis Evangelion. Bom, se você ia ler ou assistir, problema seu. O que de fato importa é que nunca entendi essa demora dela para perceber que estava chorando. Rei sempre foi uma garota que não era apegada aos sentimentos, entendo, e os foi desenvolvendo ao longo da série. O auge é quando ela percebe que se preocupa com seus colegas, e por isso começa a chorar, o que leva a tal cena. Não que Rei seja fria ou qualquer coisa, ela apenas não conhecia os sentimentos.


Nunca entendi isso. Nunca. Como pode desconhecer os próprios sentimentos e não saber ao certo o que sente? Como pode não perceber dos gostos ou desgostos ou qualquer coisa? Nunca consegui entender Rei. Mas por incrível que possa parecer, sempre a considerei uma garota forte, não por omitir isso, mas por assumir que não sabia da existência desses.

Ao contrário de mim. Sempre me senti forte por saber muito bem esconder meus reais sentimentos. Talvez alguns aspectos como desprezo ou algo do gênero falhassem um pouco, assumo. Eu, ao contrário de Rei, os conheço muito bem. Só que quero guardá-los e me tornar tão forte quanto Rei foi. Ou quanto considerava Rei forte.

Sempre me orgulhei de, por exemplo, ter chorado na frente de pouquíssimas pessoas. Não por coisas tipos filmes meigos ou músicas estupendas. Digo por causa dos meus sentimentos. E digo que isso é uma das piores coisas que pode ter me acontecido. Juro que não entendo essa onde recente de distúrbios que acontecem, e venho tentando me fazer de forte na frente de todos. Mas quando já estava tudo no controle que eu realmente me desesperei. Aqueles pensamentozinhos ruins começaram agora a invadir. E me peguei vergonhosamente numa viagem de ônibus chorando igual uma garotinha. E pela primeira vez em quase cinco anos e me vi igual a Rei e entendi o porque ela demorou tanto pra saber o porque aquelas lágrimas eram dela.
“Sou eu que estou chorando? São minhas lágrimas?”

Minha maior fraqueza é querer me mostrar forte.