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terça-feira, 23 de junho de 2015

A Lista (Ou Os Monstros de Amara)

Amara escrevia uma lista de compras. Fazia um bom tempo que ela não o fazia. Estava sentada toda curva sobre um pedaço de papel, remoendo o tubo da caneta preta, enquanto pensava nos itens de sua lista. Já tinha revirado os armários vinte e sete vezes, quase o número de vezes de invernos vividos. Suas listas, quando mais nova, eram recheadas de itens como biscoitos, doces, balas e filmes. Hoje, se tinha um chocolate era muito.

Deu um longo suspiro. Coçou a cabeça, levantando a cabeça em direção ao armário e viu a porta semiaberta, presa por algum pedaço de roupa mal dobrado ou algo que o valha. Ficou encarando a porta por longos segundos decidindo se deveria verificar a origem do problema ou se ignoraria até a próxima ida ao guarda roupas. Optou por voltar a sua lista. Ela se lembrou que, quando criança, tinha medo do armário, pois acreditava que os monstros lá moravam. Inclusive, uma vez foi tentar caça-los com uma espada de brinquedo, e ali ficou por longo minutos presa, até que alguém a encontrou e resgatou. Parecia que sua pequena jornada tinha acabado mais cedo e de forma mais frustrante que imaginava.
Aparentemente, o monstro do armário não tinha ido embora, mas ela não mais o encarava, então ficaram quites.

Prendeu os cabelos no alto em um coque apenas para solta-los de novo. Tomou uma xícara de algo que estava na pia que tinha cor de café, mas gosto de sapólio. Foi até o mercado com sua lista, percorrendo de prateleira a prateleira, procurando os itens. Era um processo automático, não a fazia pensar. Amara estava com outros 162 problemas na cabeça, quase que sua altura em centímetros. No caixa, ela teve um vislumbre de um senhor barrigudo, carregando uma sacola de compras nas costas com um olhar mareado, como se não estivesse de fato ali. Lembrou de quando lhe contavam a história do Homem do Saco, que raptava crianças que não se comportavam direito. O senhor barrigudo poderia muito bem estar carregando uma criança, pensou, mas o saco estava imóvel. E nunca fez muito sentido para ela alguém que raptava crianças mal comportadas. Amara sempre foi bagunceira, mas o tal homem nunca apareceu.
Ela ficava olhando na janela de sua casa para ver se ele iria aparecer depois de alguma traquinagem. Via alguns homens maltrapilhos passando, mas eles nunca entraram. Então estavam quites por ora.

Enquanto ordenava os itens no armário, já a noite, percebeu que tinha esquecido de comprar sabão. Ela pensou em voltar ao mercado, mas como já havia escurecido, não seria uma boa opção. Ela resolveu então simplesmente colocar sua camisola e deitar. Ao pressionar o interruptor, a lâmpada deu um estalo e se apagou. Amara ficou tateando no escuro até pegar o celular e iluminar as gavetas atrás de uma lâmpada. Obviamente, sem sucesso, uma vez que não estava na lista. Resolveu simplesmente deitar e ficar encarando o escuro. Ela lembrou das várias histórias que lhe contavam antes de dormir, por causa do medo do escuro. Algumas tinham uma menina perdida num país maluco, outras um rapaz que podia voar, nunca envelhecia e tinha sua própria turma.
Ela sentia um medo abismal do escuro e seus monstros. Mas imaginando todas as histórias, ela adormecia rápido e não tinha de lidar com ele por muito tempo. Então estavam quites por ora.

Mas bem.
Os monstros de Amara nunca foram embora. O monstro continuava no armário. O Homem do Saco permanecia vagando. Os monstros do escuro continuavam a fazer barulho quando a luz apagava. Mas todos eles perceberam que Amara tinha tanto medo deles quanto da realidade. E que, quanto mais ela cresceu, maiores ficaram os monstros dela. Todos eles se apiedaram e resolveram deixar Amara em paz.

Então estavam quites. Por ora. E Amara continua assustada. Apenas com monstros maiores.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Sou eu que estou chorando? São minhas lágrimas?"



Essas foram algumas das últimas frases de Rei Ayanami antes de morrer em Neon Genesis Evangelion. Bom, se você ia ler ou assistir, problema seu. O que de fato importa é que nunca entendi essa demora dela para perceber que estava chorando. Rei sempre foi uma garota que não era apegada aos sentimentos, entendo, e os foi desenvolvendo ao longo da série. O auge é quando ela percebe que se preocupa com seus colegas, e por isso começa a chorar, o que leva a tal cena. Não que Rei seja fria ou qualquer coisa, ela apenas não conhecia os sentimentos.


Nunca entendi isso. Nunca. Como pode desconhecer os próprios sentimentos e não saber ao certo o que sente? Como pode não perceber dos gostos ou desgostos ou qualquer coisa? Nunca consegui entender Rei. Mas por incrível que possa parecer, sempre a considerei uma garota forte, não por omitir isso, mas por assumir que não sabia da existência desses.

Ao contrário de mim. Sempre me senti forte por saber muito bem esconder meus reais sentimentos. Talvez alguns aspectos como desprezo ou algo do gênero falhassem um pouco, assumo. Eu, ao contrário de Rei, os conheço muito bem. Só que quero guardá-los e me tornar tão forte quanto Rei foi. Ou quanto considerava Rei forte.

Sempre me orgulhei de, por exemplo, ter chorado na frente de pouquíssimas pessoas. Não por coisas tipos filmes meigos ou músicas estupendas. Digo por causa dos meus sentimentos. E digo que isso é uma das piores coisas que pode ter me acontecido. Juro que não entendo essa onde recente de distúrbios que acontecem, e venho tentando me fazer de forte na frente de todos. Mas quando já estava tudo no controle que eu realmente me desesperei. Aqueles pensamentozinhos ruins começaram agora a invadir. E me peguei vergonhosamente numa viagem de ônibus chorando igual uma garotinha. E pela primeira vez em quase cinco anos e me vi igual a Rei e entendi o porque ela demorou tanto pra saber o porque aquelas lágrimas eram dela.
“Sou eu que estou chorando? São minhas lágrimas?”

Minha maior fraqueza é querer me mostrar forte.

sábado, 28 de agosto de 2010

Auto-Análise

Acredito eu que determinadas coisas sofrem mudanças drásticas. Outras, certamente nunca mudarão. Eu diria que várias das frases que eu disse algum tempo atrás, de hoje nada me valem, assim como por vezes encontro vestígios do passado que não parecem terem pertencido a mim.
Muitos dos ideais que possuo hoje, de fato, são diferentes dos ideais anteriores. Muitas vezes, eu diria até que vergonhoso. Mas, apesar de poder lançar uma espiadela por cima do meu ombro, sei que não ignoraria tudo aquilo que já ocorreu. Tudo aquilo que passou construiu o meu caráter [ou a falta de] de hoje.
Não digo que nunca me arrependi de algo que tenha feito. Sou capaz até de afirmar que grande parte das coisas que fiz, ou que deixei de fazer, são frutos que hoje colho de arrependimentos. Por diversas vezes, olho tudo o que aconteceu e penso ‘Puxa, como fui imbecil’. E que atire um ovo na minha testa quem nunca pensou isso de si mesmo:

Para começar, preciso frisar que durante dois anos infernais eu tive muitos problemas sociais. Eu sei que melhorei bastante, não o suficiente talvez para muitos, mas acredito que se tivessem me conhecido nessa época, sem dúvidas não me aturariam como aturam hoje. Afinal, em todo ambiente que entrava, sentia um grande vazio, em termos mais precisos, como um grande ‘Intruso’. Num texto deplorável, deixei bem clara essa minha opinião.
Lembro que disse uma vez que ‘Por amor, esperaria num deserto’. Seria uma calúnia eu dizer isso, uma vez que naquele tempo eu não tinha a menor noção do que seria amor. Não que hoje eu tenha uma visão ampla sobre este aspecto, mas sei bem aquilo que eu imaginava, não era amor. Acredito que falta muita maturidade pra saber o que, de fato, é amor.
Em outro momento, lembro que estava tão envaidecido que disse ‘Desencontros e dados rolam como foices do destino’. De fato, é uma frase bonita de se ler. Só que o contesto sob a qual fora escrita é tão simplório que se torna até, eu diria, nojento de se ler.
Também já disse que ‘Admiro as estrelas e suas fabulosas personalidades. Personalidades essas que constantemente comparecem em meus sonhos e caminhos paralelos. ’ Até hoje, tenho um respeito enorme pelas estrelas e seus fascinantes brilhos. Penso, até que amargamente por vezes, por que não resolvi trilhar o caminho delas. Talvez tudo que conheço hoje, não existiria. Seria tudo absurdamente diferente a ponto de talvez não reconhecer o meu próprio semblante.
E por fim, nessa auto-análise, lembro-me bem de quando fiquei a devanear sobre portais, idealizações, mundos alternativos e fiquei pensando o que faria eu se encontrasse uma dessas Realidades Alternativas. Tenho por absoluta certeza [Redundância, quem vai falar algo?] Que tenho a mesmíssima opinião daquele tempo: ‘[...] eu ficaria preso no portal’. Acho que sempre fui e sempre serei confuso co relação a escolhas drásticas de rumo.

Provavelmente, daqui a algum tempo, eu venha a ler esta análise barata e venha dizer o quão deplorável está. Porque, descobri eu, que quanto mais tempo passa, menos desprezível eu sou, fazendo assim eu tornar uma pessoa melhor e, talvez, feliz. Porque descobri que isso, na verdade, é bem mais fácil do que eu imaginava.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Giz de Cera

- Luciano, você está bem?
Ele virou o rosto em direção a voz que ouvi. Vinha de Dani, colega de faculdade. Viu que fazia uma careta de desaprovação, pois, ao invés de ouvir o professor, Luciano estava muito além...
A cada dia que passava, Luciano tinha um maior controle sobre seu dom, de maneira mais eficiente e com maior poder, assim por dizer. Conseguia agora ficar por horas sem ouvir uma voz sequer. Às vezes, berros secos surgiam brutalmente, fazendo-o acordar de um sonho um tanto quanto utópico.
- Desculpe, Dani – Sorriu Luciano. Um sorriso forçado e quase que exagerado. – É que me veio umas coisas em mente.
Quanto a isso, ele não mentia.
- Não é porque você é inteligente e tudo o mais que tem que ignorar as aulas. – Disse, seca.
O professor já ignorava a comum falta de atenção do rapaz. Aliás, qualquer um ignorava a presença de Luciano, exceto um restrito grupo de duas pessoas.
Havia um exercício na lousa branca. E esse era o motivo pela qual Dani chamara a atenção de Luciano.
Loura, baixa, absurdamente magra. Olhos claros e profundos, onde finas olheiras envolviam na pele quase prateada. Cabelos na altura da cintura fina, que combinava com a finura do cabelo, fazendo com que se esvoaçassem com extrema facilidade. Era meiga no modo de se vestir, sempre com uma aparência bem animada e repleta de cores fortes, porém sempre combinando bem entre elas. Hoje, usava um tênis branco e meias listradas na altura dos joelhos. Macaquinho jeans por cima de uma alegre camiseta roxa e branca.
Luciano a olhou por alguns momentos. “O que será que acontece com ele. É sempre tão desligado e tão relaxado. É como se... não se importasse com nada.”. De repente, se virou para Luciano e deu um sorriso.
Com a boca levemente aberta, Luciano saiu da sala sem pronunciar uma única palavra. Já tinha ouvido centenas, talvez milhares de pensamentos. Sé de Dani, uma grande parcela.
Mas nunca algo sobre ele. Por incrível que pareça.
Quando chegou ao banheiro, enfiou a cabeça embaixo da torneira, deixando toda a água escorrer para seu pescoço. A água escorria, mas os últimos minutos não saiam da cabeça de Luciano. Fechou a torneira, secou-se com alguns papéis e se olhou no espelho.
Seus cabelos haviam coberto suas orelhas por completo. Seu rosto parecia pálido e seus olhos absurdamente arregalados. Pôs as mãos no rosto e assim viu o famoso retrato de Edvard Münch a sua frente, como se berrasse. Não sabia se corria ou se permanecia estático. Por fim, passado algum tempo, resolveu voltar à sala.
Quando saiu, se deparou com Christopher, que parecia amedrontado. Luciano se assustou.
- Chris?
- Oi Luciano. Você saiu da sala tão... O que aconteceu com seu cabelo?
Chris ficou roxo. Ele era bem branco, mas possuía a pele bem bronzeada, devido ao tempo que ficava exposto ao sol. Seus cabelos, perto do ombro, tinham um tom marrom claro, combinando perfeitamente com seus olhos escuros. Como sempre, a barba por fazer, dava-lhe um ar agressivo, mas que combinava com sua aparência. Jeans rasgado nos joelhos, camiseta escura e tênis comum.
- Enfiei a cabeça embaixo da torneira. Precisava pensar um pouco. Vamos indo que explico no caminho.
Luciano falou que, quando a cabeça doía, ele molhava a nuca. Chris não fez objeções.
Entraram novamente na sala. O professor os olhou e soltou uma risadinha debochada, mas não fez comentários. Os alunos levantaram o rosto por um segundo, mas logo abaixaram pro papel.
- Poderia me responder, Luciano – começou o professor, assim que Luciano se sentou – como devo fazer este exercício?
E olhou desconfiado para Luciano que, não por maldade, simplesmente se levantou, pegou a caneta da mão do professor e rumou para a lousa, sem olhar para trás.
- Não sei explicar. Só fazer.

Quando saíram, Luciano, Dani e Chris sentaram em algum dos bancos que estavam próximos ao prédio onde teriam aula, ao ar livre. Enquanto Chris e Luciano discutiam animadamente sobre a última prova, Dani revirava a bolsa. De repente, quando puxou um embrulho laranja, um giz de cera azul caiu “Ops, como isso veio parar aqui?”.
Luciano pegou o giz, sem realmente tocar ele. “Por que a Dani carrega um giz na bolsa?”, pensou Chris. Quando Luciano devolveu o giz, Dani ficou corada, enfiou o giz na mochila e sorriu.
- Deve ter sido minha irmã – “Detesto parecer idiota na frente do Lu”.
Ainda assustado, mas não o bastante para sair correndo, Luciano sorriu e murmurou um “tudo bem”. Chris deu uma risada, se virando para Dani.
- É agora, Dani?
- Sim!
Os dois ficaram em pé, se colocaram na frente de Luciano e disseram em uníssono.
“Feliz 18 anos, Luciano.” E o embrulho laranja nas quatro mãos, estendidos para Luciano.


O Grito - Edvard Münch

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Uma observação:

Não seja rude como eu. Não questione meu amor. Não espere bajulação. Não viva minha vida. Tenha autenticidade. Não deixe eu te usar. Não mime. Não ouse. Não estoure. Não me engane. Não engane ninguém.

Eu não questiono seu amor e, sinceramente, já não me importo mais com ele. Não criei as regras do jogo, mas era melhor que fossem discutidas desde o principio. Assim, os desencontros e os dados não teriam rolado assim como a foice do destino. Não acabou o jogo, ainda não jogamos o valete ou o coringa, mas é como se a rainha já estivesse em campo, atuando como blefe. Não que tudo seja um jogo que tenha ganhadores ou perdedores, apenas devemos nos levar como se tudo dependesse da ação do próximo.

O próximo não é oponente. É apenas o próximo. Você me conhece e sabe que eu faria algo assim uma hora. Tenho direito de viver a vida por mim, não por ti. Ok, nunca cobrara nada, porém o seu jeito me estressa. Somos opostos, somos diferentes e não somos os mesmos de antes. Isso é o que mais me estressa. O tanto que você mudara. Falta-lhe o antigo dom da comunicação que tinha, Anne. Falta-lhe muito agora. Mais do que pode imaginar. Se não consegue recordar do seu passado, me perdoe, mas não serve.

Fui rude? Então não me questione.
Se me questionou, não espere que eu volte com bajulações.
Perguntei de você? Então não diga que não sabe e jogue a moeda novamente a mim.
Quem sabe assim usa sua autenticidade e deixa-me parar de te usar?
Não bajulei, portanto, não bajule.
Não ousei, portanto não ouse.
Fui calmo, não estoure.
Não minta como fez. Nem pra mim, nem pra ninguém.
Seja feliz. Não espere que alguém a faça.

Boa noite, Anne.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Meg White

Hoje, dia 22 de maio, Meg White vai casar.

Meg White é baterista do grupo musical ‘The White Stripes’ formado também por Jack White. Muito podem dizer que o som deles é ‘magro’ e toda essa papagaiada, pelo fato de tocarem só guitarra e bateria, mas o que importa é que eu gosto e ponto final.


Jack e Meg White, em episódio de 'Os Simpsons'

Voltando ao assunto principal, Meg vai casar com Jackson Smith, um guitarrista com pais conhecidos, em Nashville, (Kansas, EUA). Eles estão juntos desde o verão passado e foram vistos várias vezes juntos próximos a residência de Meg, mas o foco não é ser um paparazzo aqui.

Apenas queria desejar felicidades a Meg, pois merece. Depois de todo aquele boato do vídeo pornô (falso) que saiu, espero que ela fique bem, seja feliz com o novo marido e que possa, futuramente, ser uma pessoa realizada na vida. Desta vez, sem ataques de ansiedade ou qualquer coisa que prejudique sua saúde. Queria poder escrever mais, mas faltam muitas palavras ainda.

Parabéns, Meg.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sabedoria

Eu não envelheci. Sempre fui velho. Apenas ganhei experiência durante todos os anos que vivi.
O tempo não me dera todas essas rugas. Eu as adquiri passando várias manhãs olhando o sol, enquanto ele batia no meu rosto, junto às pessoas de que gosto.
Minhas pernas doem, sim. Mas eu sei que doem porque eu as usei bastante. E me foram muito úteis até agora.

E por mais que tudo aconteça, não consigo me arrepender de nada que fiz. Sei que não posso corrigir o passado, então não há com o que me preocupar.
E também não perderei tempo adivinhando o futuro. Ele virá, em seu momento certo. E não terei oportunidade sequer de pestanejar.

Quanto à morte, eu já não tenho mais medo. Ela virá, sim, e é a única certeza de que tenho na vida.
Minhas experiências? Bem, elas não são guardadas como as suas, em caixas, livros ou papeis. São guardadas em uma câmara escura, que quase não entro mais, mas que levo comigo aonde for. E eu as levarei sempre comigo, seja lá onde for.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

April Fool's Day

Hoje é Primeiro de Abril, o dia do April Fools.

Comemorem, e cuide-se quem puder.

(Na foto, April Fools, de Padrinhos Mágicos.)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Portal

Se realmente houvesse uma passagem, ou portal, melhor falando, de um mundo real para um mundo ideal, eu ficaria preso no portal.




Talvez seja exatamente por isso que nenhuma dessas passagens tenha se revelado a mim ainda. Falta-lhes paciência para tanto.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O Casamento


A noiva foi a primeira a chegar. Sem dúvidas. E também fora a última a deixar o altar e a a Igreja.
Leve e exageradamente decorada com flores laranja e alegres, que exalavam um cheiro quase que alvo, a aparência alegre e estival da Igreja contrastava com o Inverno frio e melancólico que repulsava nos corações presentes. Falsamente desanimados, os familiares sussurravam os nomes do noivo e da noiva numa mesma oração, com espaço de tempo inferior a um suspiro.
Eu acreditava que, geralmente, em casamentos se usasse roupas claras e alegres. Mas parece que todos não gostavam muito da noiva e, por isso, usavam seus belos trajes negros, longos e improvisados. A propósito, da família da noiva, eu não via ninguém.
A não ser o canivete brilhante que eu rodava entre as mãos. O mesmo que unira meu primo à noiva, a Morte.
Ainda assim, consegui sorrir na minha macia e confortável roupa branca.

Eu consigo segurar o riso, fato.

sábado, 17 de janeiro de 2009

Garota abraçada ao Caderno Espiral

“Lá em cima daquela serra,
Passa boi, passa boiada,
Passa gente ruim e boa,
Passa a minha namorada.”

Guimarães Rosa, Sagarana.

Aliás, tinha centenas de pessoas reunidas num mesmo e pequeno espaço. Era asfaltado, com cobertura cor-de-vinho-velho. E várias pegadas esbranquiçadas, dos mais variados tipos de calçados, das mais variadas cores e dos mais variados tamanhos. E todas rumavam em direção às pequenas salas onde seus donos se silenciavam sob o alarde ensurdecedor.
Estava quente. Provavelmente o dia mais quente do ano. Por mais que algumas árvores cercassem o lugar e a sombra do prédio se expandisse pelas centenas de cabeças reunidas em torno do portão que estava prestes a abrir, a mancha de água rodava todas as pessoas nas camisetas, marcando exatamente em baixo dos braços. Ainda faltava meia-hora para a abertura, mas o comum da biologia humana é o sofrimento por antecipação. É claro, as machas de suor não são de calor. São de pré-ocupações.
Assim como Luciano, essas seriam testadas a fio e sem qualquer piedade. E boa parte desse grupo era jovem, com cerca dos seus dezoito anos. Pré-acontecimentos. Pré-ocupações. Pós-adolescência. E por isso vieram.
Luciano estava até que bem tranqüilo. Taqueava um jogo no celular relaxando enquanto o portão de vidro quebrado não se abria. A princípio, parecia ser o único que tinha condições de sobreviveras quatro horas que se seguiriam.

Ria-se da menina abraçada ao seu caderno espiral, rindo escandalosamente sob aquele sol escaldante e arrebatador. Luciano concentrou-se e riu da piada que tinha ouvido da outra garota, localizada a 10 metros de distância. Seus ouvidos estavam cobertos por música alta, mas não era inevitável que pudesse ouvir mais do que os sons que percorriam os fones. Isso porque Luciano tinha treinado o final da semana inteira para bloquear os sons adversos a sua própria mente.
Seria, até mesmo, injusto da sua parte exercer seu dom num local onde seria testado com as mesmas aptidões dos outros candidatos. Alem disso, era amedrontador ter de ouvir quarenta pensamentos numa sala onde teria que se concentrar arduamente. Telepatia, misturada a apatia. O chiclete, a borracha e a lapiseira azul.
As cinqüenta questões, as quarenta pessoas, as quatro janelas e as duas canetas esferográficas preta. Nada de maior interesse. A não ser que prefira levar em consideração o ventilador rodeando sobre as cabeças ferventes dos vários submetidos a provação.
Luciano não era exceção. Fervia com sua cabeça tentando se concentrar nas suas questões e não nos gritos que subitamente surgia-lhe a mente, fingindo uma possível convicção de controle. Lembrava unicamente do livro sobre a cabeceira. Lá, estava um livro de contos, entre eles, o de um garoto que tinha o mesmo dom que ele.

Mas qual a diferença? Depende da referência.

Por exemplo, Luciano é real. Danny não. Danny adora sorvete de chocolate, Luciano não.
Meras diferenças e brutas semelhanças abasteciam a mente do garoto que precisava de um momento, apenas um momento, para se concentrar na sua provação. E, com absoluta certeza, ele não precisava se lembrar do outro garoto.
Desviando os olhos do ventilador, Luciano retomou sua concentração e sua lapiseira e fitou as doze folhas de papel a sua frente. E sorriu.

Doze horas depois estava jogado na cama, com os pés descalços e as mãos sob a nuca. Refletia instrospectivamente sobre a loucura do pai e a ausência mental da mãe.
Tinha acertado quarenta de cinqüenta questões no vestibular, onde a telepatia se fundia a antipatia. Ou à apatia.


O Iluminado

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Pequenas mãos

Um dia, essa minha habilidade de gostar das coisas simples demais vai me destruir.
Calma, sem exageros.

Nesses últimos dias, tenho passado por um estado um tanto engraçado, querendo reviver tecos do meu passado. Sim, justo eu que abomino passados em geral e quero esquecê-los. Arrebentar todas as correntes de passado que prendem qualquer parte do meu corpo físico e não físico.
Com isso, fui rever uma antiga playlist minha no computador e encontro uma música abandonada lá no meio. A música se chamava “Lynsey Wells” e nunca me apeteceu muito devido ao baixo volume que ela tinha. O que me irrita, pois não suporto musica baixa. Há! =)
Como quem não quer nada, resolvo meramente procurar alguma coisa sobre Franz Ferdinand, uma das minhas bandas favoritas (clichê) e compositora da tal Wells. Vi vários comentários sobre a música e sobre um possível vídeo que a musica têm. Enfim, lá vai o babaca procurar.
Quando termino de procurar o vídeo e vou assisti-lo, subiu um frio pela minha espinha e chegou a me congelar de tal forma que até agora não consigo entender. A música é absurdamente diferente da que eu tinha e absurdamente mais cativante. Um clipe em preto-e-branco com Saskia Pomeroy (a L. Wells no clipe) a correr feliz e saltitante pelo mundo,com suas pequenas mãos, ao som da tal música.



Saskia Pomeroy é uma atriz formada na Escola de Artes de Glascow, nascida no ano de 1985. Além de aparecer nesse clipe do Franz, também aparece em outro mais ou menos da mesma época, 2006, chamado “Wine in the Afternoon”. Saskia Pomeroy, por essas duas únicas apresentações em mídia, motivou algumas pessoas de uma forma um tanto engraçada na Europa.
A música e o vídeo falam sobre uma garota que adora correr e se libertar jogando os cabelos ao vento, com suas mãos pequenas. Basicamente como o lado infantil de qualquer ser humano que tenha ao menos uma gota de sentimentalismo no sangue. A inocência, beleza e bondade são estampadas na cara de jovem de uma forma que jamais vi em qualquer pessoa. E em pesquisas mais profundas, descobri que a própria L. Wells existira de verdade e era vista exatamente da forma que descrevi por Alex Kapranos, escritor da música.

E não foi a música, não foi o vídeo, não foi a Saskia (olha a intimidade, há!) nem nada disso que me fez gelar até a alma. Foi um conjunto em si que me fez quase cair da cadeira quando começou a tocar e me estabilizou na mesma quando terminou.
Por fim, ainda estou extremamente assustado pra dizer qualquer coisa mais. Deixarei o vídeo para quem quiser assisti-lo.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pontos de Vista


Sobre decapitar o Gato de Cheshire...


O ponto de vista do carrasco era que não se podia cortar
uma cabeça que não estava presa a um corpo.
Nunca fizera tal coisa antes e não
iria começar a essa altura da sua vida.


O ponto de vista do Rei era que qualquer um que
tivesse cabeça podia ser decapitado, e tudo o mais
era disparate
.

O ponto de vista da Rainha era que, se não
resolvessem logo alguma coisa,
ela mandaria executar todo mundo em
volta(Essa ultima observação é que
ensombrecera a todos, fazendo-os
parecer tão sérios e anciosos).

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

ReDescoberta

É muito engraçada a forma como o mundo gira e para no mesmo lugar.
Fale se não é.
Estava outro dia a procurar alguma coisa pra fazer, em frente a essa mesma maquina que esta na sua frente quando, de repente, eu vi algo. A janelinha do MSN subiu e algum ser estava ouvindo uma banda chamada Ludov.
Ludov, Ludov. De onde raios eu conheço essa banda?
Devaneio profundo, me veio na cabeça uma pequena cena inútil dos meus tempos de menino.







Há quatro anos atrás, eu tinha como lema uma musica da banda, chamada Kriptonita. Era uma musica que falava basicamente aquilo que eu precisava saber naquela época. E o videoclipe era basicamente a historia de uma mãe que perdeu a infância da filha. Enfim era isso.
Depois disso, nunca mais. Apenas leves comentários como “e no seu apartamentooo” [Princesa].

Baixadas pelo menos quatro musicas da banda [Rubi, Disco Paralelo, Dois a Rodar e Kriptonita], resolvi procurar os CDs e alguma coisa a mais que pudesse me satisfazer musicalmente. Eu estava deprimido de tudo que andava ouvindo, e eu sou a pessoa mais fácil para enjoar de musica.
O que posso dizer é que até agora, em oito dias de banda, não enjoei ainda.

A banda tem um som gostoso de ouvir. Não é metal, não é rock pesado, nem nada. É um ritmo bom pacas que muitos considerariam Indie. Lembra um bocado Pato-Fu e mais alguma outra banda do gênero, como Gram.
Enfim, a banda tem músicas muito boas. Bem ritmadas, como em Dois a Rodar, com letras bem subjetivas, Rubi, histórias cotidianas, Urbana, e mais algumas outras bem animadas, Da Primeira Vez.

Se for pra indicar alguma musica, ouça Urbana. Deixarei o link do videoclipe ai para vocês. Enfim, eu que não sou de indicar musica, peço para que ouçam Ludov.


sexta-feira, 16 de maio de 2008

1 -2 +3 -4 +5

Em matemática a expressão, 1 − 2 + 3 − 4 + … é uma série infinita cujos termos são números inteiros, que vão alternando seus sinais. Utilizando a notação matemática para adição, a soma dos m primeiros termos da série se expressa como:


A série infinita diverge, no sentido que a seqüência de suas somas parciais (1, −1, 2, −2, …) não tende a nenhum limite finito. De forma equivalente, poder-se-ia dizer que 1 − 2 + 3 − 4 + … não possui soma no sentido usual do termo.
Contudo, em meados do século XVIII, Leonhard Euler descobriu a seguinte relação qualificando-a de paradoxal:


Foi somente muito tempo depois, que se chegou a uma explicação rigorosa desta relação. Até o começo da década de 1890, Ernesto Cesàro e Émile Borel, entre outros, pesquisaram métodos bem definidos para atribuir somas generalizadas às séries divergentes – incluindo novas interpretações dos intentos realizados por Euler. Muitos destes métodos denominados da soma atribuem a (1 − 2 + 3 − 4 + …) uma "soma" de 1⁄4. O método da soma de Cesàro é um dos poucos métodos que não soma a série 1 − 2 + 3 − 4 + …, por isso, esta série é um exemplo de um caso onde deve utilizar-se um método mais robusto como, por exemplo, o método da soma de Abel.
A série 1 − 2 + 3 − 4 + … encontra-se relacionada com a série de Grandi 1 − 1 + 1 − 1 + …. Euler analisou estas duas séries como casos especiais de (1 − 2n + 3n − 4n + …) para valores de n aleatórios, uma linha de investigação que estende sua contribuição ao problema da Basiléia e conduz às equações funcionais do que conhecemos hoje como a função eta de Dirichlet e a função zeta de Riemann.
_____________________________________________________________
Relações heurísticas da soma

As explicações mais simples que relacionam 1 − 2 + 3 − 4 + … com o valor 1⁄4 são extensões de resultados relacionados com a série 1 − 1 + 1 − 1 + ….

Estabilidade e linearidade
Dado que os termos (1, −2, 3, −4, 5, −6 …) seguem um padrão simples, pode-se expressar a série 1 − 2 + 3 − 4 + … como uma versão transformada de si mesma e resolver a equação resultante para obter um valor numérico. Supondo que fosse correto expressar s = 1 − 2 + 3 − 4 + … para algum número s, as seguintes relações levam a mostrar que s = 1⁄4:


Somando 4 cópias de 1 − 2 + 3 − 4 + …, utilizando unicamente deslocamentos e somando termo a termo obtém-se 1.

s = 1 − 2 + 3 − 4 + …
s= (1 − 1 + 1 − 1 + … ) + (0 − 1 + 2 − 3 + … )
s= h − s,

onde h é a "soma" da série:
h = 1 − 1 + 1 − 1 + …
h= 1 − (1 − 1 + 1 − … )
h= 1 − h.

Resolvendo as equações h = 1 − h e s = h − s obtém-se que h = 1⁄2 e s = (1⁄2) // h = 1⁄4.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Antropomorfismo ou Zoomorfismo?


Geralmente, quando se tem uma aula MUITO interessante, você faz de tudo, menos prestar atenção na porcaria da aula. Pois então, estou estou no meio de mais uma das porcarias de aula sobre as porcarias das Bacias Hidrográficas (Eletrônica Digital).


Bom, é nessas aulas MUITO interessantes que surgem os pensamentos mais inteligentes do mundo. Por exemplo: os Pingüins.

Os pingüins são adoráveis criaturas que são aves, porem se assemelham muito com mamíferos e humanos. Existe um programa infantil, com o nome bem original de Pingu, que conta as histórias de um medonho pingüim com sentimentos bem humanos. Geralmente, é uma história bem excitante, como o episódio em que quebra um vaso e a Mamãe pingüim desmaia. Lógico, pingüins têm vasos dentro de seus iglus (Abrigos feitos com blocos de neve compactada, e não meras casinhas de gelo).
Esse é um exemplo clássico de Zoomorfismo. Que beleza!

Mas voltando as Bacias Hidrográficas (Agora, a bacia Amazônica torna-se um complexo Contador de 0 a 9). Nosso querido instrutor Hernandes esta falando o melhor dos discursos sobre a porcaria do DataBook. E nesses momentos MUITO interessantes que surgem os pensamentos mais inteligentes do mundo. Por exemplo: os Professores.

O professor dava (ui!) aula num SENAI chamado Roberto Simonsen. e ele insiste em repetir isso cerca de cinco vezes ao dia, que foi quando me surge: "Esse professor é o cão!". Essa expressão geralmente é usada quando expressamos nosso amor antagônico por alguém. com isso, pensei naqueles pequinês vesgos, orelhas bizarras, caras de doidos, invocadinhos, peludos e que não param de latir. E assim forma-se a imagem de um desses seres me dando aula. O professor pequinês, pensei. Animal! Affz...
Esse é um exemplo clássico de Antropomorfismo. Que beleza!

Bom... Um dia acredito que esses bichos, como o professor, voltem para a selva e que os pingüins, como o Pingu, venha para a cidade quebrar os vasos de sua querida mãe.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Cachorro Quente MUITO Macabro



Sexta feira de muito sol. Obvio, era mês de abril, no outono. Claro que tinha muito sol!

Enfim, eu resolvi comer um cachorro quente. Nunca gostei muito de cachorro quente por causa da praga que alguns insistem em chamar de maionese. Por isso, fiz uma grande revolução no modo de comer cachorro quente: pedi sem maionese!

Mas a historia em si não começa ai:

O travecão do cabelão:

P - Acho que vou almoçar um cachorro quente. Vou lá fora e volto em alguns minutos, ok?
F - Espere um segundo, irei também.

Enfim, foram.
E saíram pra comprar o cachorro quente.
Chegam ao tio do cachorro quente.

P - Por favor, um cachorro quente SEM maionese.

Alguns minutos depois...
T - Tenho que fazer de novo, eu pus maionese.

Suspiro. Gritos do Jack White no meu ouvido.

Alguns minutos depois, uma substancia não identificada é adicionada ao cachorro quente.
P – O que é aquilo que ele pos no cachorro quente?
F – Não faço idéia.
P – Prefiro acreditar que seja apenas vinagrete.

Mais alguns minutos, o cachorro quente enfim é finalizado.
E passado as minhas mãos.
Assim, surge a macabridade do momento:
T – (?) Ta parecendo um travecão com esse cabelão.
Novos berros de Jack White na minha orelha. E a bateria da Meg. E o meu dinheiro na mão do Tio.
P-Obrigado.... Tem troco?
T - Não, é dois reais mesmo.

Enfim saímos. Flávia e eu.
Quando do outro lado da rua caiu a ficha.
P - Ele disse que estava parecendo um travecão de cabelão?
Risos.
F – Eu acho que era a mulher do outro lado da rua.

Alias, até hoje não sabemos.




sábado, 5 de abril de 2008

Dead Leaves and the Dirty Ground





Uma Folha não passa de
Uma Folha
Caída de uma árvore cheia
De Folhas.





domingo, 23 de março de 2008

Seqüência da Cidade 1
















As Luzes da Cidade
Parecendo Santidade
Brilham na Escuridão
E se arrastam pelo Avião
A Noite toda


E não param
As Luzes Amalucadas
Desenfreadas
Atrapalhadas
Desgovernadas
Até ficarem Apagadas



Essa Enfim é a Tecnologia
Mas que ideologia!
Luzes que imitam a Lua
E Lua que imita Luzes?

sábado, 22 de março de 2008

Seqüência da Cidade 2



















A Noite toda
Se arrastam pelo Avião
Brilham na Escuridão
Parecendo Santidade
As Luzes da Cidade



Até ficarem Apagadas
Desgovernadas
Atrapalhadas
Desenfreadas
As Luzes Amalucadas
E não param



E Lua que imita Luzes?
Luzes que imitam a Lua
Mas que ideologia!
Essa Enfim é a Tecnologia.