segunda-feira, 7 de julho de 2008

Primeiro Dia de Sol da Última Semana

-Está um belo dia para se escrever um poema, não acha Mariana?
Foi o que Jonas disse.

Mariana mirou as nuvens. Estavam coloridas de um branco tão profundo que até parecia azedo. Eram poucas, porém grandes e largas.
O céu estava num azul tão profundo que era possível delirar se fixasse os olhos por muito tempo. Chegava a ser sudômico de tão azul.
Uma rajada de vento frio se chocou com Mariana. Era refrescante e contrastante com a temperatura de verão num belo dia de inverno.
Era apenas dez horas da manhã.
Mariana estava num balanço vermelho no parquinho perto de casa. Jonas estava no balanço amarelo. O balanço azul e o balanço rosa estavam quebrados, como sempre. O escorregador estava molhado, por causa da chuva de Quarta. O gira-gira não tinha ninguém. A casinha, melada de barro. A Areia, grossa. Os olhos, mareados. As roupas, imundas.
Então a menina fechou os olhos. sentiu como se voasse naquele balanço instável. seu vestido balançava e seus pés calçados na sapatilha brincavam. Uma única lágrima escorreu, decorrente do sono da manhã.
Enquanto isso, a imaginação ia longe, ao se ver voando com os pássaros e aviões. Senti as borboletas ficarem para trás, enquanto o único impulso era seu tronco preso naquele balanço.
Logo imaginou uma história, envolvendo uma princesa voadora, um príncipe-sabiá e um monstro-furtacor, onde a princesa, com suas asas, percorria toda a extensão do céu azul-sudômico com nuvens branco-azedo.
Tudo isso no embalo do balanço.

-Mariana?
-Sim Jonas, ouve esse:

Príncipe-Sabiá
Contra o Monstro-Furtacor
Princesinha a voar
Na nuvem sem cor

-É mesmo lindo.
-É uma história que acabei de inventar.
-Em casa você me conta. Vamos?

E se foram.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Busca

É possível acreditar em vilões naturais que se transformam em delicados sofredores. Claro que não, não existem vilões.
Carlo buscava lábios que esquentassem os seus. Buscava um coração que acariciasse o seu. Por isso, Carlo criou vários amores, vários romances. E buscou em vários rostos os lábios que esquentassem os seus. Os corações que acariciassem. O sexo que lhe abraçasse.
Enfim, Carlo era solitário e fingidor.
Nunca havia amado ao certo ninguém. Nunca sequer havia derramado uma lágrima por alguma alma viva. Era frio por dentro. Era frio por fora. Era frio.
Não pensem, porém, que era má pessoa. Contribuía com seu respeito e atenção àqueles que, de alguma forma, lhe agradavam.
Tantas vezes fingiu a namorada seu paradeiro. Era inevitável, saiu-lhe de sua boca, transbordando, sem que lhe fosse pensado. E tudo que mentia soava razoável, enquanto a mente fugaz encontrava pontos onde suas mentiras podiam romper. Porém nunca encontrava. Mas essa não é a história das mentiras de Carlo.
É a história do amor de Carlo.
Mas também é necessário informar sobre as mentiras, deve estar pensando. Claro que é. Quer saber mais? Se eu não tivesse lhe dito das mentiras, você não entenderia o real motivo da história ser triste. Claro porquê é uma historia, das mais triste que já contei. É triste porque é real.
Continuaremos as mentiras, depois prosseguirei para o amor.
Carlo já fingiu chorar ao telefone com sua namorada. E assim que desligava, após longas horas chorando, levantava o rosto como se nada havia acontecido, e soltava aquela risada, cuja reverberação soava no coração de paredes sombrias que pertencia a Carlo. Mas não era porque queria, era apenas um instinto.
Já fora muito maltratado no “amor”, mesmo que o fingido.
A primeira garota amada se fora. A segunda garota virara-lhe o rosto. A terceira ficara com seu melhor amigo na sua frente. A quarta terminou porque descobriu que amava garotas. Fora o cumulo. Naquela pequena mente sombria e perversa surgia os detalhes de um novo plano de sedução, enquanto suas mentiras continuavam a surgir.
Havia acabado de terminar com uma das garotas com a qual estava, pois outra já lhe enchia de vontade. Nem terminara de almoçar e já pedia a sobremesa. Não que fosse apressado, mas sempre que buscava o melhor.
Sempre se corrompendo mais.
Foi quando surgiu.
Descia levemente as escadas, como se flutuasse. Era apenas um brilho prateado que vendava os olhos de Carlo, desejoso de alguém que lhe aquecesse os lábios. Mas o brilho passou direto e foi-se. Carlo sentiu suas pernas tremerem. Sua voz falhou. Seus olhos se dilataram e sua mente se clareou.
Alguém havia lhe acariciado o coração. Coisa jamais feita.
Não tinha mais que a sua altura. Tinha os cabelos louros e os olhos claros. Sua pele era clara como o olhar direto pro sol. Não era comum, não podia ser comum. Era mais que comum.
Quando fora embora, os olhos lacrimejaram, de um ardor tão grande que não podia se imaginar. Aquilo havia iludido o pobre Carlo de tal forma que não agüentava mais em pé.
Assim, chegara em casa, na quarta-feira chuvosa, onde se deitara pensando no brilho. Sonhara com o brilho. Acordara pensando no brilho.
Mas o brilho não estava lá.
Quinta-feira fazia algum frio. A chuva não tinha feito estrago nenhum. Mas o coração acariciado parecia destruído tamanha quantidade de coisas que lhe revestia as paredes. A reverberação do som era mais alegre, mais explicita. Mais juvenil. Ele voltara a viver. E se sentia amar pela primeira vez.
Pode parecer: ‘que estúpida história, gosta de alguém que nem sequer sabe o nome’. Ai que tu se engana.
Carlo conhecia a figura. Freqüentava os mesmo bares e as mesmas livrarias que o brilho. Mesmo que o brilho não se desse conta disso Carlo sabia até o nome do brilho. Andrea.
Mas Carlo não fazia idéia se Andrea o conhecia também.
Enfim, Carlo, naquela quinta-feira triste decidiu falar com Andrea. Sabia que encontraria no cursinho, ao passar por aquele longo corredor de paredes frias, cujas janelas estava sempre fechadas. Porém, Andrea teria prova, e Carlo ouviu ao passar pelo corredor, tentando ver novamente o brilho. Assim, Andrea estava com muitos colegas de classe em volta. Mas Carlo passou umas seis vezes pelo lugar onde ela estava.
Sexta-Feira. Haveria uma festa onde os dois foram convidados. Caro esperava encontrar. Mas Andrea, com muitas faltas no cursinho, não comparecera.
Passa-se o fim de semana com a angustia crescente no peito de Carlo.
‘Segunda é o dia’, pensou. E foi.
À noite, quando Carlo chegava, Andrea descia as mesmas escadas. Sem companhia alguma.
Carlo ia passar direto, mas os lábios o puxaram na direção de Andrea. Perguntou porque não comparecera na festa. Sua resposta foi um sorriso aberto que encheu os olhos de Carlo de lágrimas. Mas as palavras daquela boca transbordaram belamente, fazendo surgir o som. Amigos não iriam, estouro de faltas no cursinho.
Carlo tinha de estender o assunto. Disse que não fora legal, se tratando de uma festa promovida pelo Al, amigo comum de ambos. A festa fora uma porcaria porque Andrea não estava.
Perguntou, então, a qual carreira queria Andrea seguir, para estar no cursinho. Outro sorriso, uma levantada de pé. Movimentos belos da boca soltaram as palavras. Exatas!
Carlo percebeu que Andrea não se sentia tão a vontade, então se despediu do brilho e subiu as escadas, enquanto Andrea descia as outras.
A afobação fora tanta que não parava de tremer durante a noite toda. Sentia-se quente. Sentia-se feliz. Ele se sentia tocado. Mas não falara o que queria para Andrea.
Naquela mesma noite, Carlo, na frente de seu computador, encontrara Andrea no famoso site de relacionamentos. Não resistiu e convidou-lhe a participar da sua rede. ‘Que idiota. Enfiar o orkut no meio da história’ Era necessário.
Seus gostos eram bem semelhantes. Suas mãos tremiam freneticamente ao ritmo imaginário do som da biblioteca de papéis no peito de Carlo.
Porém, terça-feira que destruiu o belo sonho dentro dele.
Sentia-se alegre. Sentia-se bem. Sabia que a veria novamente no cursinho à noite. Mas como era junho, não lembrava que as férias chegariam tão rápida e violentamente. Por conseqüência, Andrea não fora.
Isso fez Carlo vagar pensando. Quando decidiu verificar seu correio eletrônico na própria escola. ‘Claro, está aceito. Até mais ver’
Foi seco. Foi duro. Foi impactante. Foi o fim pra ele.
A ingenuidade e a sagacidade de interpretação de expressões fazia Carlo realmente acreditar que Andrea correspondia a seu flerte. A resposta fora totalmente rude e seca.
No caminho para casa, Carlo chorava como criança. Os sons na sua orelha reboavam nas telas de vidro de seu coração quase despedaçado. Um colega, entendendo o fato, dissera para ter calma e ir devagar, pois Andrea pode realmente corresponder. Era o que precisava ouvir, mas a questão é que Carlo acreditava cegamente que Andrea iria corresponder bem diretamente. Mas não foi o que aconteceu.
Na chuva, sem agasalho e solitário, Carlo descia a alameda onde todas as noites caminhava até chegar em sua casa. Tivera seu primeiro ataque nervoso em anos. Tivera isso algumas vezes na infância, mas não acontecia como aconteceu.
Carlo ria e chorava ao mesmo tempo. Os fones de ouvido ressoavam uma musica de influencia hipnótica sobre o ouvinte. Aquilo tomou conta dele de tal forma que os joelhos cederam no meio do aguaceiro que a chuva causava. Era triste e sofrido. ‘Claro, está aceito. Até mais ver’. Como assim?E os meus lábios aquecidos? E o meu coração acariciado? E o meu corpo agitado?
Não agüentando mais rir e chorar, Carlo se largou no chão, e por lá ficou uns dez minutos, rindo e chorando feito um louco qualquer.
Como disse, essa é a historia mais triste que já contei na minha vida. Você deve pensar: ’que história mais ridícula, foi só uma frase idiota’. Mas a questão é: o coração do homem inabalável fora transformado e arrasado pelo brilho prateado que desce as escadas. Porque suas mentiras não fariam efeito em Andrea, que nem deve saber que Carlo existe, pra ser exato. Não te afeta, saber que o homem mentiroso, sedutor e frio foi atingido tão violenta e bruscamente?
Pois é, essa é a historia mais triste que já contei na vida.
Porque meu nome é Carlo. E hoje ainda é Terça-feira chuvosa.

domingo, 1 de junho de 2008

Soneto Insosso

Beijei a face do meu pesadelo essa noite.
Já não posso dormir por mais que quatro horas seguidas
Meu único pensamento é na dona da foice
Que possui seu templo de mil torres erguidas.

Beijei a face do meu pesadelo essa noite.
Agora sigo num estado de semivigília
Meus olhos estão abertos ao mundo
Pesadelo! Obrigado pela cortesia!

Sabe, não quero mais deitar
Sinto sono, mas não posso
Em quatro minutos, não irei mais agüentar.

Assim então, se acaba meu dia
Como os outros, insosso
Enfim, vai começar a agonia.

domingo, 25 de maio de 2008

Faça o que quer

É assim, sabe? Quando você quer algo, você deve fazer.

Não importa quantos sucos de laranja ou quantos pedaços de torta ja tenha ingerido.
É claro, por favor crianças, comer bolo quente dá dor de barriga, não se esqueçam. E suco gelado causa dor de garganta. E fones de ouvido causam overdose e surdez.

Fique surdo, gordo, doente. Mas faça o que quer.
É claro, por favor crianças, não saiam pelados na rua porque dá prisão. Espere chegar em casa para fazer isso.
Não fiquem pelados. Mas façam o que quiserem.
É isso aí.

domingo, 18 de maio de 2008

Esperando Respostas

Cara Natália.
Como tens passado? Há tempos que não tenho noticias suas. Espero que esteja tudo bem contigo.

Lembrei-me de você esses dias. Estava assistindo a um filme infantil, que conta à história de uma Ovelha que se apaixona por um Lobo. Enquanto a Ovelha fazia de tudo para ser notada pelo Lobo, esse comia [literalmente] as outras ovelhas. No final, descobre que o Lobo era uma ovelha disfarçada, que não comia as ovelhas, enquanto a Ovelha era um lobo disfarçado. Muito engraçado mesmo, me lembrou os velhos tempos de escola.
Enfim, fiquei sabendo da sua amiga Karol, que pegou uma bela doença. É grave, não? Bem, acho que a doença mental dela é algo que tem mais urgência de tratamento em relação às pernas. "Mas essa é uma outra história, e deverá ser contada em outra ocasião". [Procure essa frase depois, ok?].
Faz dois anos que não a vejo. É uma pena. Queria que me visse hoje. Eu mudei bastante, na minha opinião. No duro, me sinto bem mais maduro que o Ricardo que você conheceu. Provavelmente, se lhe ver, não terei mais aquelas brincadeiras escrotas de escrever em todos os lugares as iniciais dos meus ídolos, apesar de saber que continua com isso.

Permita-me ser mais direto, com gentileza.

Eu era um babaca por ter te dito tudo aquilo. Eu provavelmente nunca te amei e nunca vou lhe amar. Você, como pode perceber, é infantil demais para os meus objetivos. Sabe, eu adorava o fato de lhe odiar. Deve ser isso! E na verdade, até prefiro que você namore o Linton. Sério, ele gosta de você e você o ama, mesmo sem perceber. E não precisa mentir, sabe. Ficar comigo não vai lhe ajudar em nada. Porque eu sei o que você quer, e é atenção. E como você pode perceber, isso é algo que não posso lhe dar.
Sobre a sua antiga desculpa sobre a Karol, que é sua amiga e talz, não precisa mais ser usada. Porque ela me amava e as etecéteras. Sério! Eu a encontrei esses dias e ela me mostrou a aliança dela. Foi realmente um encontro emocionante. Aiai.
Sabe, eu descobri que não preciso amar ninguém pra me sentir bem ou mal. Meus dias aqui na faculdade já me são exaustantes e deprimentes o bastante.
Cá entre nós, pessoinha escrota eu era dois anos atrás.

Desejo-lhe felicidades
Com amor
Ricardo

OBS: Antes de o Lobo revelar que é uma ovelha, ele se apaixona pela Ovelha, que na verdade é um lobo. Foi um belo suicídio.

OBS2: Sabe, odeio quem confunde tudo. Namorar, Beijar e Ficar são coisas bem distintas.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

1 -2 +3 -4 +5

Em matemática a expressão, 1 − 2 + 3 − 4 + … é uma série infinita cujos termos são números inteiros, que vão alternando seus sinais. Utilizando a notação matemática para adição, a soma dos m primeiros termos da série se expressa como:


A série infinita diverge, no sentido que a seqüência de suas somas parciais (1, −1, 2, −2, …) não tende a nenhum limite finito. De forma equivalente, poder-se-ia dizer que 1 − 2 + 3 − 4 + … não possui soma no sentido usual do termo.
Contudo, em meados do século XVIII, Leonhard Euler descobriu a seguinte relação qualificando-a de paradoxal:


Foi somente muito tempo depois, que se chegou a uma explicação rigorosa desta relação. Até o começo da década de 1890, Ernesto Cesàro e Émile Borel, entre outros, pesquisaram métodos bem definidos para atribuir somas generalizadas às séries divergentes – incluindo novas interpretações dos intentos realizados por Euler. Muitos destes métodos denominados da soma atribuem a (1 − 2 + 3 − 4 + …) uma "soma" de 1⁄4. O método da soma de Cesàro é um dos poucos métodos que não soma a série 1 − 2 + 3 − 4 + …, por isso, esta série é um exemplo de um caso onde deve utilizar-se um método mais robusto como, por exemplo, o método da soma de Abel.
A série 1 − 2 + 3 − 4 + … encontra-se relacionada com a série de Grandi 1 − 1 + 1 − 1 + …. Euler analisou estas duas séries como casos especiais de (1 − 2n + 3n − 4n + …) para valores de n aleatórios, uma linha de investigação que estende sua contribuição ao problema da Basiléia e conduz às equações funcionais do que conhecemos hoje como a função eta de Dirichlet e a função zeta de Riemann.
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Relações heurísticas da soma

As explicações mais simples que relacionam 1 − 2 + 3 − 4 + … com o valor 1⁄4 são extensões de resultados relacionados com a série 1 − 1 + 1 − 1 + ….

Estabilidade e linearidade
Dado que os termos (1, −2, 3, −4, 5, −6 …) seguem um padrão simples, pode-se expressar a série 1 − 2 + 3 − 4 + … como uma versão transformada de si mesma e resolver a equação resultante para obter um valor numérico. Supondo que fosse correto expressar s = 1 − 2 + 3 − 4 + … para algum número s, as seguintes relações levam a mostrar que s = 1⁄4:


Somando 4 cópias de 1 − 2 + 3 − 4 + …, utilizando unicamente deslocamentos e somando termo a termo obtém-se 1.

s = 1 − 2 + 3 − 4 + …
s= (1 − 1 + 1 − 1 + … ) + (0 − 1 + 2 − 3 + … )
s= h − s,

onde h é a "soma" da série:
h = 1 − 1 + 1 − 1 + …
h= 1 − (1 − 1 + 1 − … )
h= 1 − h.

Resolvendo as equações h = 1 − h e s = h − s obtém-se que h = 1⁄2 e s = (1⁄2) // h = 1⁄4.