sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Cristal

Dói.

Durante muito tempo, vim trabalhando para construir um cristal que tivesse a minha imagem. Não minha imagem física, mas sim a imagem de dentro. Logo a imagem de um pequeno cristal redondo, com várias lascas pequenas surgiu. Vim então trabalhando para polir esse cristal e que todas as lascas fossem removidas.

Vim exibindo meu cristal liso a todos que quisessem ver. E todos apreciavam 'Olha que cristal brilhante', 'como reluz essa jóia'. E coisas do gênero. Meu cristal logo se tornou motivo de orgulho para muitos, uma vez que aquela pequena coisa se destacava dentre as outras pedras.

Às vezes, era necessário dar um polimento a mais, pois a pedra se apagava por um tempo e reacendia. Eu me assustava nesses pequenos períodos de escuridão.
Por vez, a pedra chegou a brilhar tanto que foi alvo de discussões gerias, onde todos se perguntavam como que um cristal conseguia brilhar, com tão pouco tamanho. Eu sorria me orgulhando o cristal que eu tinha criado, e assim foi por algum tempo.

Dói.
O que por vezes eu esquecia é que uma vez lascado, o polimento serviria apenas para esconder toda a imperfeição da pedra. E por muito tempo eu tinha esquecido o quando tinha por baixo daquela beleza brilhante. Tinha esquecido todos os riscos e lascas que o polimento escondia.

Eu também, por vezes, esquecia que o polimento no cristal seria o mesmo que mascarar a face lascada.
Até que uma pequena lasca surgiu. E virou uma rachadura. Em menos de três horas, o cristal começou a se apagar, e a rachadura aumentar. Jamais pensaria que aquela lasca, lembro-me muito bem dela quando fiz o cristal pela primeira vez, viesse afetar depois de tanto tempo preenchida. Mas erroneamente ao invés de lixar a lasca, resolvi simplesmente a mascará-la como se nunca tivesse lá.

Dói.
O meu cristal se rachou. Quebrou em doze menores pedaços. Alguns brilhantes, alguns apagados. Quase todos frágeis.
Menos a parte onde a maior e menos notável lasca tinha se formado. Aquele era o maior e mais grosso pedaço do meu cristal espatifado.

O meu cristal espatifado criado a minha imagem espatifada.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Chocolate Quente com Marshmallow

Ela olhou para fora. Vira os carros passarem apressadamente pelo lado de fora da janela por um minuto e suspirou. Afagou os cabelos da nuca enquanto pensava em como começar a falar. Quando movera os lábios pela terceira vez sem produzir som algum, a garçonete apareceu.
- O que o casal feliz deseja?
Sem dúvida alguma, a vontade da moça era de fuzilar a garçonete. Que idéia era essa de dizer 'Casal Feliz'? Soltou então um longo suspiro, concentrou todas as suas forças e deu um sorriso.
- Você disse que o chocolate quente com Marshmallow daqui era bom, não é?
O rapaz a fitou nos olhos com vagarosidade e murmurou.
- Sim, o chocolate quente daqui é bom. Quero um com Marshmallow e um croissant integral de queijo.
Ela repetiu o pedido e a garçonete partiu. Olhou novamente para fora e viu um casal de idosos atravessando a rua vagarosamente, sorrindo. Revirou os olhos e se virou novamente para o rapaz.
- Fazia tempo que você estava me esperando? Me atrasei um pouco.
- Não muito, uns dez minutinhos só. Estava ocioso em casa mesmo.
Pensou consigo mesma 'Então porque não disse que estava livre mais cedo?', mas relevou o pensamento e continuou a ferver os neurônios para tentar conversar com aquele rapaz. Antes que começasse a falar, ele começou a falar para o vidro.
- Sabe, sei que pode parecer uma conversa clichê, Mas o tempo hoje está realmente agradável. Sabe, esse tempo cinza, nem frio nem quente. As pessoas podem escolher se saem usando blusas ou camisetas.
Ela olhou novamente para fora e viu, realmente. Havia dois rapazes andando em frente ao café. Um usando Shorts curtos de correr com uma camiseta curta e sem mangas, conversando alegremente com outro rapaz, com longos Jeans, casaco e até um cachecol. Criava um contraste engraçado. Ela riu.
- Por que ri?
- Aqueles dois rapazes. Estão engraçados vestidos assim.
Ele sorriu por uma fração mínima de segundos e voltou à feição normal, como se estivesse com um sono permanente. Ela ainda não entendia o porquê daquele semblante fechado. Pela quarta vez, ia começar a falar, quando foi interrompida pela garçonete, trazendo os chocolates quentes e se desculpando pelos croissants, que haviam queimado, mas ela já traria outros.
Quando a garçonete se afastou, ela tocou a ponta do nariz gelado e começou a falar.
- Você me parece meio abatido. Aconteceu algo?
Ele hesitou uma resposta, olhou para o chocolate e respondeu lentamente.
- Não se preocupe, é o meu jeito habitual. Não estou abatido, pelo contrário, fico feliz de estar aqui.
Ela sorriu pela resposta, mas não compreendeu realmente o que ele quis dizer com aquilo. 'Bom, se ele diz estar feliz em estar aqui, poderia ao menos DEMONSTRAR estar'.
-É que você está com olheiras um pouco fundas e não tem falado muito. Pode conversar comigo, estou aqui pra te ouvir.
Ele hesitou novamente, deu um sorriso curto e respondeu tranquilamente.
- Fico feliz que se preocupe comigo, mas está realmente tudo bem. Me acostumei a dormir tarde e por isso as olheiras. Não sei muito o quê falar com você, mas não leve isso a mal.
- Eu só quero ajudar...
Ele tomou um longo gole do chocolate. A garçonete trouxe os croissants, agora aparentando estarem crus demais, e se retirou. A moça, vendo que não tinha muito o quê fazer, passou a fitar o vidro com a caneca de chocolate na mão.
- Não que isso interfira no meu comportamento habitual, mas eu ando com alguns problemas familiares, meu trabalho anda bem desgastante e não ando me sentido muito seguro com relação a você. Sinto que vou te perder.
Ela se manteve estática. Não esperava uma resposta tão direta do rapaz que, agora, parecia um pouco mais confortável. Era como se antes ele estava com alguma coceira que, de repente, cessou e atacou ela. Fitou mais uma vez o chocolate e suspirou.
- Olhe, eu só quero que você fique feliz. Eu também ando tendo problemas com minha família, você sabe, fui até chamada de acidente pelo meu pai, estudo numa área que não me apetece, mas preciso continuar pra não perder meu emprego. Você está abatido e não se abre comigo. Como posso ficar bem assim? Apesar de tudo, estou procurando ser feliz dessa forma.
Ele suspirou
- Parece impossível.
- É improvável, não impossível. Se eu não tentar, vou me abater para sempre, porque não é sempre que coisas boas acontecem. E mesmo assim temos de viver.
Ele abaixou os olhos para o chocolate. Pareceu com se tivesse levado uma bofetada.
- Eu quero terminar logo de estudar, é só mais um ano, e fazer uma pós em alguma coisa que eu realmente queira. Vou terminar de pagar meu apartamento e adotar um cachorro chamado Spark e uma gata chamada Diamont. Vou arrumar um emprego melhor e voltar a fazer aulas de dança. E só de pensar nessas coisas, já me dá vontade de continuar. Quais são os seus planos para o futuro? Não tem nada que te motive?
- Nunca fiz planos a longo prazo. Toda vez que os faço acabo me decepcionando ou mudando de idéia antes de acabar. Por enquanto, meu único objetivo é terminar o curso de Alemão que comecei. Eu acredito que as coisas boas não são buscadas e, sim, elas aparecem ao acaso. Assim como você surgiu.
Ela se engasgou com o chocolate. Tossiu três vezes, o suficiente pra chamar a atenção de todos os presentes no estabelecimento. Assim que se recuperou, e que todos os clientes do estabelecimento voltaram suas atenções as respectivas companhias, disse numa voz fraca e pastosa de marshmallow.
- Com todos... os problemas que eu... cough... ando tendo, não preciso de alguém que me deprima mais que já estou. Preciso de alguma motivação, alguém alegre. Alguém que queira ficar comigo e me animar. Não alguém que me diz que não tem a mínima vontade de fazer algo...
- Eu nunca disse isso, eu apenas...
- Ouça. - Ela o interrompeu - Sabe, eu gosto muito de você, quero muito que você fique bem, mas não dá pra ficarmos juntos se você não fica bem e nem procura estar bem. Não me venha com essa de que 'Temos de esperar a marolinha passar'. Se só esperarmos, nada vai acontecer.
- Entendo o que quer dizer, mas...
- E pare de falar comigo formalmente. Tem de se descontrair. Estamos saindo juntos há um mês e só vi você sorrir três ou quatro vezes. Me diz o porquê disso tudo isso?
Ele lançou um profundo e tristonho olhar a ela. Apesar de todos já terem desviado o olhar, ainda tinham os ouvidos sensíveis a conversa do casal. A caneca de chocolate tremia na mão da moça, não sabendo se por causa do frio repentino que viera da porta recentemente aberta ou se da raiva que estava sentindo.
- Eu nunca soube demonstrar bem meus sentimentos. Eu... peço desculpas por isso tudo e vou entender se você quiser lançar esse chocolate na minha cara.
De fato, o chocolate pulava da caneca dela. Assim que ela percebeu, baixou a caneca na mesa e pousou as mãos no colo. Ela suspirou e esperou ele continuar, mas seu rosto se voltou a contemplar o vidro e as pessoas na rua.
- Você sabe que não dá mais, não é? - Ela suspirou baixinho.
- Obrigado - ele disse, voltando o rosto para a caneca. - por todo esse tempo. Foi maravilhoso.
Ela, aturdida com essas palavras, se levantou e saiu pisando forte. Parou por um segundo a porta, tomou fôlego e saiu. Ele ficou olhando pelo vidro enquanto ela passava, andando em frente sem virar para trás. Ele virou sua caneca de chocolate, pagou a conta e foi embora, andando na direção oposta.

quarta-feira, 9 de março de 2011

À Deriva

Estávamos à deriva. Éramos dependentes do mar e do vento. Talvez até mesmo da estação Lunar. Como botes encalhados, esperando boas condições para o resgate. Como velas alçadas, quase hasteadas. Como âncoras sendo liberadas.

Era carvão, aguardando o fogo para combustão. Era como qualquer metáfora que dependesse de ação para reação. E este estado era definitivo, interminável, eterno, irreversível.

Porém não podia ser assim.

Apesar de esperar, algo acontecia até todo o processo ocorrer. Não que houvesse autocombustão ou auto-hasteamento. Mas mesmo botes encalhados mandam seus sinais de socorro. Estávamos à deriva, sim. Mas não totalmente imobilizados. O mar, o vento, a estação Lunar eram variáveis inconstantes. Nossa condição não.

Assim como o carvão a espera da combustão, éramos humanos, a espera da morte.
Mas nem por esse motivo deixamos de viver plenamente. Afinal, definitiva, interminável, eterna e irreversivelmente, estávamos à deriva.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sonhos em Luz e Plástico

As luzes. Cada minúsculo ponto brilhante daquela avenida consumia uma pequena potência de existência.
Havia bonecos em forma de bonecos, bolas em forma de bolas, sonhos em forma de pequenos farelos brilhantes que circundavam todos os glóbulos das lâmpadas que apareceram ao correr aquela semana pela cidade.

Um gracioso e reluzente Boneco de Neve de plástico brilhava por entre vários Pirulitos verdes e vermelhos. Todos possuíam nariz de Cenoura de Plástico, Cartolas de Veludo Negro de plástico, Cachecóis quentes e peludos de plástico e luzes extra-coloridas, dando uma majestade maior do que realmente aparenta ter um Boneco de Neve num país tipicamente tropical. Mas o sorriso daquele pequeno monte de plástico aparentemente inútil fazia com que os rostos de diversas crianças de todas as idades refulgissem a luz daquela noite pouco estrelada de uma época nublada. Panapanás coloridas de plástico voavam em bandos para lugar algum, em círculos eternos sobre uma armação de arames, transformando o ato de voar num singelo tempero alegre noturno e adocicado.

Gigantescos pinheiros concentrando as diversas cores em sua imensa extensão, onde em suas raízes estavam as esperanças e felicidades das crianças que esperavam um brinquedo. Bolas magistrais sempre nas mesmas cores pendiam de seus galhos como se fossem frutos de uma época inexistente, porém que pareciam saborosos aos olhos. Outros frutos também pendiam de outros postes, sempre com cores Rubras ou derivadas, mas nunca trazendo discórdia ou algo do gênero. Pelo contrário, acalmava corações aturdidos com bilhares de questionamentos.

Luzes tipicamente azuladas combinam com o Pseudo-Inverno da Estação veraneia. Luzes absurdamente verdes, fazendo os pinheiros parecerem maior do que realmente são. Vermelho forte, combinando com sentimentos intensos dos variados tipos de pessoas que por ali andavam. Amarelos e dourados chamativos, para que as pessoas acreditassem que era a época de ouro do ano. Prateados e Alvo, lembrando pássaros incrivelmente brancos que simbolizam tranqüilidade. Violetas, trazendo todo o mistério presente na imaginação absurdamente fértil dos humanos.

Uma criança parou na rua, apontou para uma pequena gravata iluminada e chamou sua mãe. Aparentemente, seus olhos refletiam a mesma intensidade, senão superior, a das luzes que eram emitidas pelas gravatas. Seus olhos lacrimejaram de graciosidade e um sorriso surgiu rapidamente no rosto. Outra criança parou e encarou o boneco de neve, com as sobrancelhas levemente arqueadas começou a questionar seu avô sobre a neve e como é feita. Seus ouvidos eram atentos a estória contada pelo feliz ancião. Uma terceira criança olhou para o grandioso pinheiro e o mostrou ao pai. Pai este abriu um gigantesco sorriso e abraçou o filho bem apertado, como se aquele fosse o seu pertence mais precioso. Outra criança olhou brevemente uma das borboletas no arame, lembrou de seus natais antigos, e abriu um sorriso para suas filhas .

E assim, todas as crianças iam olhando para o alto, com os rostos levantados, sempre com os olhos brilhando. Cada uma com uma reação diferente, mas todas com o brilho daquelas diversas luzes, de diversas tonalidades, refletindo todos os sentimentos que esperaram todo um ano para sentir novamente.

domingo, 26 de setembro de 2010

Convite

Não obstante a todo esse universo, devo lhe dizer, Joana, que posso trazer-lhe o Sol, ou levá-la as estrelas. Não é simplesmente mais uma dessas minhas declarações apaixonadas ou algo que o valha, sinto lhe dizer. Mas é que o novo planetário da cidade já está aberto à visitação.

Outro detalhe que gostaria de frisar foi que ontem me encontrei com seu irmão, Miguel. Conversamos um bocado e ele me disse gentilmente a posição dele com relação a minha estadia na sua casa. Fiz questão de lhe contar sobre o dinheiro que ando gastando, o financiamento do meu novo apartamento e o meu pedido de noivado.
Apesar de termos conversado um bocado, foi uma conversa curta, uma vez que meu pai aparecera pedindo para que eu o levasse ao médico. Sabe que a saúde dele não é das melhores... Enfim, ele está bem, era só uma dor de cabeça mais forte.

Com relação aquela carta de atraso do pagamento da conta de telefone que chegou, liguei e resolvi o problema. O sistema estava com algum defeito e por isso não haviam contabilizado o pagamento. Passei um fax com o recibo de pagamento e eles que se resolvam. Hehe, Fax, que coisa antiga.
Sua Tia-Avó Mirele ligou. Ela pedira para que você retornasse a ligação o mais cedo possível. Ela irá convidá-la para passar umas semanas na Noruega junto com ela. Eu sugiro que você ligue o quanto antes, afinal, como você mesma disse, o humor dela é um bocado inconstante.

Como você percebeu Joana, deixei esta carta dentro de um livro, na exata página onde o marcador estava. Sugiro que leia a página 257 novamente, deixei uma frase sublinhada que gosto pacas.

A Cleide também ligou. Deixei esta por último para fazer suspense. E adivinhe... ahã.... Você começa na quarta! Deve ir por entre hoje e amanhã para assinar o contrato e pronto. Não é genial? Fico feliz que você tenha conseguido essa vaga, Joana.

Deixe-me encerrar por aqui. Te amo
    Ao infinito
           E Além.
           Eduardo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Auto-Análise

Acredito eu que determinadas coisas sofrem mudanças drásticas. Outras, certamente nunca mudarão. Eu diria que várias das frases que eu disse algum tempo atrás, de hoje nada me valem, assim como por vezes encontro vestígios do passado que não parecem terem pertencido a mim.
Muitos dos ideais que possuo hoje, de fato, são diferentes dos ideais anteriores. Muitas vezes, eu diria até que vergonhoso. Mas, apesar de poder lançar uma espiadela por cima do meu ombro, sei que não ignoraria tudo aquilo que já ocorreu. Tudo aquilo que passou construiu o meu caráter [ou a falta de] de hoje.
Não digo que nunca me arrependi de algo que tenha feito. Sou capaz até de afirmar que grande parte das coisas que fiz, ou que deixei de fazer, são frutos que hoje colho de arrependimentos. Por diversas vezes, olho tudo o que aconteceu e penso ‘Puxa, como fui imbecil’. E que atire um ovo na minha testa quem nunca pensou isso de si mesmo:

Para começar, preciso frisar que durante dois anos infernais eu tive muitos problemas sociais. Eu sei que melhorei bastante, não o suficiente talvez para muitos, mas acredito que se tivessem me conhecido nessa época, sem dúvidas não me aturariam como aturam hoje. Afinal, em todo ambiente que entrava, sentia um grande vazio, em termos mais precisos, como um grande ‘Intruso’. Num texto deplorável, deixei bem clara essa minha opinião.
Lembro que disse uma vez que ‘Por amor, esperaria num deserto’. Seria uma calúnia eu dizer isso, uma vez que naquele tempo eu não tinha a menor noção do que seria amor. Não que hoje eu tenha uma visão ampla sobre este aspecto, mas sei bem aquilo que eu imaginava, não era amor. Acredito que falta muita maturidade pra saber o que, de fato, é amor.
Em outro momento, lembro que estava tão envaidecido que disse ‘Desencontros e dados rolam como foices do destino’. De fato, é uma frase bonita de se ler. Só que o contesto sob a qual fora escrita é tão simplório que se torna até, eu diria, nojento de se ler.
Também já disse que ‘Admiro as estrelas e suas fabulosas personalidades. Personalidades essas que constantemente comparecem em meus sonhos e caminhos paralelos. ’ Até hoje, tenho um respeito enorme pelas estrelas e seus fascinantes brilhos. Penso, até que amargamente por vezes, por que não resolvi trilhar o caminho delas. Talvez tudo que conheço hoje, não existiria. Seria tudo absurdamente diferente a ponto de talvez não reconhecer o meu próprio semblante.
E por fim, nessa auto-análise, lembro-me bem de quando fiquei a devanear sobre portais, idealizações, mundos alternativos e fiquei pensando o que faria eu se encontrasse uma dessas Realidades Alternativas. Tenho por absoluta certeza [Redundância, quem vai falar algo?] Que tenho a mesmíssima opinião daquele tempo: ‘[...] eu ficaria preso no portal’. Acho que sempre fui e sempre serei confuso co relação a escolhas drásticas de rumo.

Provavelmente, daqui a algum tempo, eu venha a ler esta análise barata e venha dizer o quão deplorável está. Porque, descobri eu, que quanto mais tempo passa, menos desprezível eu sou, fazendo assim eu tornar uma pessoa melhor e, talvez, feliz. Porque descobri que isso, na verdade, é bem mais fácil do que eu imaginava.